Brasil, um megaempresário perdulário

Durante os 6 Governos da Contrarrevolução Militar havia no Brasil mais de 302 empresas estatais sob o controle da União. Metade dessas empresas, criadas na euforia nacionalista da época, foram fechadas, resultando no chamado milagre econômico brasileiro que transformou o país de economia extrativista em país industrializado.

Mesmo com as privatizações das últimas décadas, o Estado brasileiro continuou inchando e sendo aparelhado de forma perversa e criminosa, a ponto de se tornar um gigante ineficiente em tudo o que diz respeito ao atendimento das demandas do contribuinte. 

Estima-se que 60% da sociedade brasileira, mesmo sofrendo as inconsequências do gigantismo do Estado, é contra as privatizações. Por que é contra?

Porque a maioria desconhece os malefícios econômicos e sociais causados por estatais deficitárias que são operadas por burocratas corruptos a serviço de grandes corporações privadas, cujos dirigentes financiam uma casta política privilegiada que, associada à burocracia estatal, formam os chamados carteis que abocanham impunemente grande parte dos recursos do Tesouro. 

Há três décadas o Brasil não consegue avançar com as privatizações porque a sua economia-política vem se distanciando do capitalismo liberal e adotando os fundamentos mais retrógrados do capitalismo estatizante de Estado socialista. 

De 1986 até os dias atuais os carteis, oligopólios e as organizações criminosas vêm atuando com tamanha gana, que transformaram o Estado brasileiro em um megaempresário perdulário, que devora com avidez tudo o que arrecada, ignorando solene o que de fato importa ao contribuinte aviltado e vilipendiado por incúria dos governos. 

Ora, numa economia sangrada na carótida, que despolpa e recrudesce em serviços públicos essenciais, desviar dinheiro do Tesouro para sanear estatais deficitárias é tão irracional quanto elevar a carga tributária para manter estatais que tem o desperdício e a roubalheira como sua alavanca mestra.

Livrando-se do fardo pesado das estatais deficitárias, o Estado deixará de ser refém de políticos mercenários que só apoiam iniciativas de interesse nacional mediante o toma-lá-dá-cá. 

E em consequência das privatizações necessárias, o Estado terá condições de reduzir gastos com os serviços públicos, podendo dedicar-se com mais eficiência ao aprimoramento da arrecadação, concentrando sua energia na gestão eficaz das atividades finalísticas primordiais do Estado, que são: saúde, educação, segurança, infraestrutura e meio-ambiente. 

Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.
 

 



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