A situação da pandemia na Rússia

Russia
Legenda: Vale observar que existem três vacinas aprovadas na Rússia, que já estão em linha de produção
Foto: Pixabay

Desde 2004, mantenho contatos com alguns sociólogos e escritores russos, de quem recebo notícias políticas e informações sobre economia, conflitos sociais e sobre a vida cotidiana das pessoas naquele gigantesco país.

As informações mais recentes dão conta de que, apesar do grande estoque de vacinas disponíveis para todos, até o meado de maio de 2021, apenas 5% da população russa aceitou se vacinar, e que mais de 60% da população russa é contra a vacinação em massa. É contra porque a maioria acredita que essa pandemia da Covid não é um fenômeno sem causa, e não surgiu no mundo por geração espontânea, como o "faça-se a natureza". E quando falam em Covid, apontam para a China.

Nos postos de vacinação instalados nos shoppings centers de Moscou e de outras grandes cidades (todos sempre vazios) não há filas, nem burocracia e os autofalantes oferecem inclusive um sorvete para quem aceitar se vacinar.

O ministro da Saúde, Mikhaíl Murachko, declarou recentemente que o Kremlin já estaria satisfeito com pelo menos 30 milhões de russos vacinados até o dia 15 de junho. Vale observar que existem três vacinas aprovadas na Rússia, que já estão em linha de produção e na pauta de exportação: a Sputnik V, EpiVacCorona e CoviVac.

As autoridades sanitárias da Rússia admitem que uma das causas que vem afastando a população russa da vacina tem a ver com as recomendações médicas de que não é recomendável ingerir bebidas alcoólicas por 14 dias antes e 42 dias após a vacina.

Ora, leitores, pedir a um russo para não beber sua vodca até a embriaguez é um castigo muito mais severo do que trancafiá-lo numa prisão da Sibéria.

Outro fator a ser considerado: as medidas restritivas contra a propagação do vírus foram banidas na Rússia por ordem de Vladmir Putim há muito tempo, e, desde então, todas as fronteiras do país estão abertas, sendo permitido aglomerar em eventos de massa, shows, concertos e todos os restaurantes e bares estão funcionando sem nenhuma restrição.

Atento a essa rejeição popular, na última quarta-feira (26/05), durante uma videoconferência sobre economia, o presidente Vladimir Putin foi ovacionado pelos seus concidadãos ao declarar-se contrário à obrigatoriedade da vacinação para toda a população, inclusive para os trabalhadores de setores estratégicos que mantém contato com um grande número de pessoas, nacionais e do exterior.

Segundo o presidente russo, os cidadãos devem perceber essa necessidade por conta própria. E disse mais: "Gostaria de salientar mais uma vez e apelar a todos os nossos cidadãos: pensem bem, tenham em mente que a vacina russa, como a prática já mostrou em milhões de pessoas que a usaram, é atualmente a mais confiável e a mais segura". Na minha opinião, é contraproducente e desnecessário introduzir a vacinação obrigatória.”

Imaginem o que ocorreria se Bolsonaro ousasse dizer no Brasil o que disse Putin na Rússia em cadeia nacional. Com toda certeza, estaria sendo espancado 24h/dia pela mídia avermelhada, que condena os fármacos eficazes, e etária, sendo criminalizado pelos togados do STF, pelos chacais do Senado e por toda essa gente da esquerda xenófoba e rastaquera que não se conforma com as perdas das mamatas impostas por um governo honesto e democrático, que defende o trabalho, o direito de ir e vir, as liberdades individuais e as garantias constitucionais, de forma intransigente.

Os inquisidores da CPI do Senado (meia dúzia de larápios federais muito conhecidos) já não escondem que estão completamente ensandecidos diante da convocação de seus aliados para depor nesse circo da CPI, por isso mesmo estão desmoralizados perante o Brasil, porque a sociedade está vendo, de forma muito clara, que eles não desejam apurar os roubos e desvios bilionários de verbas federais destinados ao combate pandêmico. Ao contrário, essa súcia do chamado G7 do Senado, vem atuando nessa CPI muito mais contra os interesses da sociedade e do país do que atuam os maus condôminos que escarram nas paredes, riscam os elevadores do condomínio, não pagam suas contas, reclamam de tudo, odeiam o síndico e ainda torcem para o prédio desabar.

*O texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.