Jogadores não podem subestimar o novo coronavírus

Na Europa, atitudes irresponsáveis como a de Neymar & Cia., do PSG, prejudicam mais do que somente eles. No futebol brasileiro, cerca de 200 jogadores já contraíram Covid-19

Legenda: Neymar, no PSG: atacante brasileiro pegou Covid-19 e ainda contaminou pai e filho
Foto: Franck Fife/AFP

A pandemia do novo coronavírus segue ativa no Brasil. Está mais controlada em alguns locais, é verdade, mas ainda está longe de ter passado. A prova maior disso é a Europa. Depois que muitos países, alguns deles que sofreram bastante com a pandemia, promoveram a flexibilização, o afã por "se sentir livre" em um momento no qual as medidas sanitárias devem e precisam ser seguidas tem causado uma nova onda. Para se ter ideia, países como a Espanha estão voltando ao patamar de casos de março - um dos momentos mais críticos do país. A diferença, por enquanto, é que o número de mortes não tem subido na mesma proporção. Muito embora, no momento em que escrevo esta coluna, a Espanha registre 184 óbitos em 24 horas.

E é exatamente da Espanha o nosso ponto de partida. Mais precisamento de Ibiza. Foi lá que o Neymar e outros jogadores do PSG foram passar uns dias de férias. Lá, todos fizeram pouco caso do fato de estarem em um país com alta de casos e de que a pandemia segue firme. Andaram sem máscara, não tomaram medidas protetivas adequadas, enfim, desprezaram o coronavírus e suas consequências.

Legenda: Na Espanha, escadarias são limpas por conta da alta substancial de novas contaminações
Foto: Jose Jordan/AFP

O resultado disso é que seis jogadores voltaram a Paris infectados. Com a Covid-19, nenhum deles deve estar em campo na estreia do time no Campeonato Francês. Para o clube, um ato de irresponsabilidade. Meio time não estará disponível para Tuchel, independente de serem todos titulares ou não. Fosse só isso, mas não é. Vamos nos ater a Neymar e Marquinhos, dois brasileiros. Neymar, que parece querer realmente ser "menino" por toda a vida. Uma espécie de "Peter Pan às Avessas" contaminou o pai, um senhor de 55 anos, beirando o grupo de risco, e o filho, de 9 anos. Nenhum tem problemas mais sérios, mas padecem da doença.

A mesma situação não se aplica a Marquinhos. Ele infectou, por tabela, a mulher e os dois filhos. Ambos pequenos, diga-se de passagem. Carol Cabrino, mulher de Marquinhos, relatou em rede social que o filho mais novo, de seis meses, tem os sintomas mais fortes.

"O Enrico é o que está pior entre nós, nem queria dar essa notícia para vocês. O médico está vindo aqui examiná-lo, ele teve uma noite de sono péssima. Ele está com febre e muito congestionado"

Legenda: Neymar, no PSG: atacante brasileiro pegou Covid-19 e ainda contaminou pai e filho
Foto: Franck Fife/AFP

Pois bem, no Brasil, cerca de 200 jogadores de futebol das quatro divisões brasileiras já testaram positivo. Sem contar a arbitragem e outras pessoas que trabalham no meio. Só nos últimos dias, jogadores de Internacional, Flamengo e Vasco testaram positivo. A maioria assintomática. Outra parte com sintomas leves. Mas, novamente, entra em questão o quanto isso não impacta no entorno de cada um deles. É preciso que cada um tenha mais cuidado. E, realmente, siga as medidas sanitárias não só em dias de jogos, mas a todo momento.

Ser atleta não isenta ninguém de descuidar da saúde ou dá carta branca para subestimar a doença e achar que tudo está normal.