Volta de Enderson Moreira mostra tradição do Ceará em repatriar técnicos

Ao longo de sua história, o Alvinegro de Porangabuçu recorreu várias vezes ao mesmo treinador para solucionar crises. De Dimas Filgueiras a Lisca. E agora, Enderson Moreira, que chega para dar ofensividade ao time

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Enderson Moreira em treino do Ceará, em Porangabuçu Natinho Rodrigues

Enderson Moreira está de volta do Ceará. Foi repatriado pela diretoria alvinegra para fazer o Vovô ser ofensivo pra valer. Aliás, repatriar treinadores é uma situação corriqueira em Porangabuçu. Casos não faltam em sua história. Alguns mais notórios do que outros.

Soldado Alvinegro

O ano era 1982. Na goleada sobre o Icasa, por 5 a 0, no Estádio Presidente Vargas, pelo Campeonato Cearense, em 5 de novembro, estreava à beira do gramado, um jovem e inexperiente Dimas Filgueiras. Na época, fazia seis anos que o ex-lateral-esquerdo havia encerrado a carreira no mesmo Ceará. E ali se fazia a primeira chance dele como treinador.

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Dimas Filgueiras teve 41 passagens pelo comando técnico do Ceará Kleber A Gonçalves

Depois disso, ele não parou mais de assumir como técnico do Ceará. Tanto que ganhou o apelido de "Soldado Alvinegro", sempre a postos. E, diga-se de passagem, o histórico que marca, de fato, é esse. O Vovô busca ex-treinadores como uma forma de resolver um problema urgente com certa frequência. No estilo, ir no que já se conhece para buscar dar certo o mais rápido possível.

Só Dimas Filgueiras foi treinador em Porangabuçu 41 vezes. A última foi em 2013. Ainda seguiu no clube até 2018 como auxiliar-técnico e se aposentou depois.

Última década

Recentemente, outros treinadores tiveram situação semelhante. Embora, com bem menos participação do que Dimas. Sérgio Soares é um desses nomes. Treinou a equipe alvinegra no período 2013/2014, voltando em 2016.

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PC Gusmão teve três passagens pelo Ceará Kleber A Gonçalves

PC Gusmão é outro caso emblemático. Chegou no clube em 2009, quando o Ceará estava na lanterna da Série B. Fez um reviravolta no time e o levou à Série A de 2010. Neste ano, deixou o Vovô na liderança do Brasileirão dividido com o Corinthians. Saiu para ir treinar o Vasco. Voltou em 2012 num momento de crise. Conseguiu dar conta até certo ponto. Em 2014, um novo retorno na Série B. Em baixa após liderar a competição, a diretoria tentava fazer com o que o time subisse para a elite. A fórmula não funcionou de novo e PC Gusmão não ficou para a próxima temporada.

Por fim, o caso emblemático mais recente foi o de Lisca. Em 2015, com o Ceará novamente em crise, veio para salva-lo da Série C. Ficou para 2016, mas não suportou o fim do Cearense. Em 2018, voltou, liderando a equipe que se salvou do rebaixamento na Série A. Começou 2019, mas não repetiu os mesmos feitos e saiu.

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Lisca foi amado e odiado pela torcida alvinegra Kid Junior

Ter projeto é importante

Com Enderson Moreira, a história vai se repetindo. Os exemplos ilustram bem isso. O treinador saiu ainda na Série A do ano passado após um sequência de oito jogos sem vitórias que complicou o time. Mas saiu em um momento pouco estratégico. Já passava da metade do campeonato e o Alvinegro mostrava sinais de reação. Hoje, ele volta a se encontrar com o elenco no Pará, onde o Ceará disputa jogo da Copa do Brasil na próxima quarta-feira, contra o Bragantino/PA. Volta quando os seus dois sucessores não deram certo e porque o time precisa ser ofensivo. Coisa que era com ele antes, mas não conseguia fazer gol.

Ou seja, a máxima de chamar alguém para "resolver" que já tenha uma fórmula conhecida se repete em um looping que parece eterno. Com isso, não digo que Enderson Moreira não tenha perfil para o Vovô. Muito pelo contrário. Mas é preciso que ele tenha um projeto a médio e longo prazo no qual o clube o envolva. E que ele possa resistir a alguma intepérie do futebol que pode ser superada em projetos a médio e longo prazo.