"Minha Mãe é Uma Peça 3" é sinônimo do carisma de Paulo Gustavo mesmo com roteiro mediano

Filme fez estreia na última semana de 2019, mas continua lotando as salas de cinema pelo Brasil

Paulo Gustavo
Na pele de Hermínia, Paulo Gustavo parece confortável e, exatamente por isso, as características engraçadas da personagem fluem naturalmente Foto: divulgação

Logo após o último Natal, o filme "Minha Mãe é Uma Peça 3" foi lançado em todo o país. Enquanto longas norte-americanos como "Star Wars: A Ascensão Skywalker" e "Frozen" ganhavam destaque e também figuravam como as grandes apostas da temporada de fim de ano, Paulo Gustavo, como ator, humorista e roteirista, aparecia mais uma vez na pele da desbocada Dona Hermínia para garantir a fatia de lucros e se sacramentar outra vez com uma das histórias de maior sucesso da comédia brasileira.

Agora, em janeiro deste, quase o ápice do período de férias, ele continua a lotar as salas de cinema e arrancar gargalhadas despretensiosas de diferentes faixas etárias. Decidi finalmente conferir o filme na semana passada e não deu outra: sala cheia e os risos quase constantes dos espectadores. A personagem-título, claro, continua sendo o charme do trabalho do artista, enquanto consegue a façanha de ganhar o público por meio do reconhecimento e da nostalgia. Mas se o primeiro longa do enredo era inventivo e possuía um desenrolar quase natural, como é possível definir um novo produto que, ainda com certa qualidade, consegue ser aquém dos anteriores?

Nesta sequência, a novidade é a sensação de "encerramento" da linha narrativa, com um fio condutor simples. Dona Hermínia se abala com as novidades nas vidas dos filhos: Juliano (Rodrigo Pandolfo) está prestes a se casar com o primeiro namorado e Marcelina (Mariana Xavier) está grávida do namorado desconhecido pela família. Em meio a uma crise dos nervos, é no hospital onde todas as histórias se encontram e o dilema da vez se inicia.

Toda a fórmula engraçada do primeiro longa está presente e cabe dizer que é exatamente este o intuito do filme. Paulo Gustavo continua incorporando a persona de Hermínia a ponto de sumir em meio aos trejeitos da personagem. Além disso, a relação com os coadjuvantes também ainda chama a atenção e é o ingrediente para que as piadas e contextos propostos sejam eficazes. No entanto, os diálogos travados e a resolução simples dos conflitos mostrados em cena empobrecem o que poderia ser o encerramento perfeito da trilogia. 

Refletir

Vale ressaltar uma menção à reflexão em relação à homofobia. Antes mesmo do lançamento, o longa já havia sido criticado pela possível ausência do beijo entre Juliano e Thiago (Lucas Cordeiro), o que de fato não se concretiza. Ainda assim, uma tímida mensagem de aceitação dá as caras, além da homenagem de Paulo Gustavo ao marido Thales Bretas, e a sensação é de um esforço mínimo para tratar de algo tão relevante. 

No fim das contas, pesando todos os aspectos negativos e positivos, "Minha Mãe é Uma Peça 3" se configura como uma boa oportunidade de entretenimento. É nesse ponto onde se exalta a competência de Paulo Gustavo, ainda que com ressalvas. Se conquistar grandes audiências por meio do riso não é tão fácil quanto parece, ele ainda continua perto do objetivo inicial.