Postura de alguns deputados apequena o plenário da Assembleia Legislativa

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O número total de discursos no Plenário 13 de Maio chegou a 1.400 - o que é expressivo, embora, por si só, não represente debates produtivos, com desdobramentos práticos à vida do cearense Foto: José Leomar

O esvaziamento recorrente do Plenário 13 de Maio, na Assembleia Legislativa, que ficou evidente especialmente durante o segundo semestre do ano passado, é, apesar de diferentes justificativas, uma demonstração de desinteresse de parte dos parlamentares em relação àquele espaço que, à exceção dos dias de votações importantes - quase sempre de projetos do Governo do Estado -, não tem se mostrado relevante à população e a muitos dos próprios deputados. Mesmo no caso de alguns que comparecem às sessões, apenas registrar presença também não é suficiente para convencer do contrário. Levantamento do Departamento Legislativo da Casa, que contabilizou todos os pronunciamentos de deputados ao longo de 2019, revela que alguns pouco se importaram com o uso da tribuna.

O número total de discursos chegou a 1.400 - o que é expressivo, embora, por si só, não represente debates produtivos, com desdobramentos práticos à vida do cearense -, mas chama a atenção que dois veteranos parlamentares não utilizaram o microfone do plenário nem sequer em uma oportunidade durante todo o primeiro ano da atual legislatura. Segundo o levantamento do Departamento Legislativo, João Jaime (DEM) e Tin Gomes (PDT) zeraram em todas as categorias consideradas (primeiro e segundo expedientes, sessão extraordinária, tempo de liderança, explicação pessoal e sessão solene/especial). Nenhum pronunciamento.

Perda dupla

É claro que a atuação parlamentar não se resume - e nem deve - ao plenário - e, ao longo do ano, mais de um veterano se queixou da apatia do principal espaço da Casa como fator que desmotivaria maior participação -, mas, com esse tipo de postura, perdem os próprios deputados, que ignoram lugar valioso que poderia ser de contribuição e prestação de contas, inclusive porque as sessões são transmitidas pelos canais de comunicação da Assembleia; e os eleitores, que não têm suas vozes amplificadas naquele espaço de poder institucionalizado por aqueles que deveriam representá-los também ali.

Tentativa de cooptação

Vereadores com mandato na Câmara Municipal de Fortaleza percebem movimentação do deputado federal Capitão Wagner (Pros), pré-candidato a prefeito, em torno de parlamentares da base governista. Ele estaria cortejando aliados que se queixam de atenção diminuta do Paço Municipal e reclamam mais prioridade nas tratativas com o prefeito Roberto Cláudio (PDT). Alguns, contudo, encaram a aproximação de Wagner com desconfiança. "Têm convites, mas nada prático. Não diz qual seria o partido para onde eu poderia ir", diz, reservadamente, um vereador.

Dinheiro público

Para evitar a abertura de novas investigações de irregularidades com o dinheiro público envolvendo o Carnaval, como no caso de inquérito que tem a finalidade de apurar irregularidades na aplicação de verbas públicas por parte da Associação Cultural das Entidades Carnavalescas do Ceará (Acecce), o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) vai chamar diversos órgãos para discutir sobre gasto público e fiscalização nesse período. A reunião do dia 27 deste mês deve englobar entidades públicas e privadas. O tema ganha terreno no debate público, enquanto já tem prefeitura no interior anunciando que não haverá programação de Carnaval paga com dinheiro público. É preciso mesmo dar centralidade a isso.

* Equipe de Política redigiu a coluna.