O que aproxima e separa Fortaleza e Salvador na corrida pré-eleitoral

Um prefeito de Capital faz uma gestão bem avaliada. Ele chega ao último ano de mandato com um conjunto de obras importante, investimentos em alta e com boas possibilidades de fazer o sucessor. Este, por sinal, se depender da vontade do prefeito, pode ser o tocador de obras da sua gestão. A realidade citada pode levar você, caro leitor, ao caso de Fortaleza. Mas se refere à realidade de Salvador, cujo prefeito é ACM Neto (DEM). Os casos são semelhantes, mas chama atenção exatamente a diferença de estratégia política entre ACM Neto e Roberto Cláudio. Nesta segunda-feira (6), o gestor da Capital soteropolitana promoveu um verdadeiro comício para anunciar seu pré-candidato à sucessão, fora do período eleitoral. Aqui, ao contrário, o grupo governista quer empurrar essa decisão de candidato para a última hora, com um grande suspense sobre quem será ungido a cabeça de chapa na coligação que deve ter à frente o PDT.

Dados da corrida

Fortaleza e Salvador são duas grandes capitais do Nordeste e têm mais semelhanças na situação política. Lá, como aqui, neste período pré-eleitoral, um nome dos quadros da segurança aparece como mais citado. Mas, na Bahia, há uma pulverização maior dos votos e o nome apoiado pelo prefeito ACM, Bruno Reis (DEM), já aparece com bom recall, diferente do caso daqui, se levarmos em conta que Samuel Dias seja a preferência de Roberto Cláudio.

Nuances

Mas por qual motivo as estratégias dos dois gestores são tão diferentes? Não dá para cravar a resposta, mas há sinais. Lá, ACM Neto é o líder maior do grupo político e define toda a estratégia. Aqui, ninguém duvida que RC tenha uma grande influência sobre as decisões, mas há outras lideranças como Cid e Ciro Gomes, além do governador Camilo Santana, cuja posição partidária ainda constitui um imbróglio para o grupo político. Aqui, Roberto tem dito que quer focar na gestão para entregar mais resultados. Lá, ACM promete não descuidar da administração, mas disse ser importante apresentar à Cidade um nome a ser discutido. Aqui, governo do Estado e Prefeitura estão aliados. Lá, são oposição. Em ambos os casos, os candidatos precisam ser construídos. E os principais cabos eleitorais serão os próprios gestores. Qual a estratégia correta? Só o resultado das urnas dirá.

Em conversas

Na Capital cearense, o DEM tem a vice, com Moroni Torgan e pode permanecer na base de apoio. Em Salvador, o PDT iniciou diálogos com o DEM, mas ainda segue indefinida a situação. Os trabalhistas querem ter candidato próprio na disputa. Nacionalmente, as duas legendas têm conversado sobre uma possível parceria.

Tempos de calmaria vive a relação entre o governador Camilo Santana e o presidente Jair Bolsonaro. No sábado, a apoiadores, o presidente disse que teve conversas “tranquilas” com o governador. Camilo devolveu a gentileza: “a relação tem sido muito boa”. Institucional, é claro.

Quer mais tempo o presidente do TCE-CE, Valdomiro Távora, para tomar conhecimento da situação das auditorias nos Consórcios Públicos de Saúde no interior. As unidades receberam, em 2018, R$ 105 milhões do Estado, sem a devida prestação de contas. Em julho, a Corte começou a auditar as unidades, mas ainda não há respostas