Amargo demais: Ceará sofre duro golpe e agora tem de secar rivais

Após marcar aos 42 minutos do segundo tempo, Alvinegro permite o empate do Athletico no último lance do jogo. Resultado pode colocar o Vovô na zona de rebaixamento no momento mais decisivo do campeonato

Valdo
Zagueiro Valdo fez grande jogada no primeiro gol do Ceará. Mas, depois, como todo o sistema defensivo alvinegro, falhou  Foto: Thiago Gadelha

Do grito salvador à desilusão. Em poucos minutos se esvaiu a comemoração alvinegra. Seria um resultado libertador, um vitória arrebatadora. Mas, no fim, tudo foi por água abaixo.

Após Mateus Gonçalves ter marcado aos 42 minutos do segundo tempo, o Vovô deixou a vitória escapar. Diogo Silva saiu mal e Madson deixou tudo igual aos 48 minutos do segundo tempo. Um golpe duríssimo nas pretensões alvinegras.

Se não bastasse ter saído na frente, se não bastasse ter um jogador a mais em campo, o pior foi o que o time deixou de fazer durante os 90 minutos: gols. Foram muitas chances desperdiçadas. Pelo menos três delas com Thiago Galhardo, mais uma vez peça questionável em campo.

Com formação e com escalação novas, na estreia do técnico Argel Fucks, o Ceará fez um primeiro tempo de adaptação, com um firme William Oliveira na contenção e com Felipe Baxola conduzindo todas as jogadas ofensivas. Até criou algumas boas possibilidades, com a maioria das bolas sobrando no pé de Thiago Galhardo, que não teve velocidade suficiente para corresponder.

Pelas laterais, Cristovam surpreendeu com boa produção ofensiva, enquanto João Lucas voltava a errar demais quando chegava à linha de fundo. Um primeiro tempo que terminou com poucas chances de lado a lado, porém com leve domínio do time local.

Retorno inflamado

Na segunda etapa, o Ceará encarnou, finalmente, o espírito que a torcida desejava. Valente em campo, o time encurralou o Athletico/PR contra as cordas. As chances, então, passaram a existir de forma mais constante.

Thiago Galhardo recebeu diversas bolas para abrir o placar. Em uma delas, na cara do gol, parou nos pés de Santos. Depois, com liberdade para chutar, bateu fraco na bola e permitiu recuperação do goleiro athleticano.

O carrossel de oportunidades não parou. Ricardinho também desperdiçou de cabeça. Vendo o problema no último terço de campo, Argel ainda tentou Bergson, que por sua vez, também desperdiçou oportunidade na cara do gol.

Quando a parte física começou a acusar no Vovô, houve confusão pelo lado de campo. Vitinho foi expulso no Athletico. Era tudo que o Alvinegro precisava para recobrar o ânimo e voltar a encurralar o Athletico. Em ato de bravura de Valdo, que virou lateral, o cruzamento perfeito alcançou Mateus Gonçalves. Em chute de rara felicidade, ele encheu o pé a abriu o placar. Delírio no Castelão. Porém, o gol acordou o Athletico e a tensão voltou a crescer.

Praticamente no último lance do jogo, Madson subiu mais que todo mundo e calou o Castelão. Calou a vitória alvinegra. O que restou foi silêncio, lamentação e as poucas esperanças.

Situação delicada

Com o duríssimo empate sofrido, o Ceará segue na mesma posição da tabela, 16º lugar. Mas, agora, pode ser ultrapassado pelo Cruzeiro. O time azul-celeste enfrenta o Vasco da Gama, segunda-feira (2), às 20h, no Rio de Janeiro.

Se o Cruzeiro vencer, ultrapassa o Vovô na tabela e o arremessa para a zona de rebaixamento, tendo a vantagem de um ponto nas últimas duas rodadas. Enquanto o Alvinegro ainda encara Corinthians (em casa) e Botafogo (fora de casa), a Raposa tem pela frente o Grêmio (fora de casa) e o Palmeiras (dentro de casa).

Para a próxima partida, já na quarta-feira, o Ceará não terá Valdo e Wiliam Oliveira, que receberam terceiro cartão amarelo.

Além do confronto do Cruzeiro, outros resultados também podem entrar em um contexto positivo para o time de Porangabuçu indiretamente. O primeiro deles é o CSA não vencer o Bahia, o que praticamente selaria o rebaixamento do clube alagoano, ainda um dos concorrentes na luta contra rebaixamento. Se o Azulão perder para os baianos hoje, praticamente não alcança mais o Vovô, já que só poderia chegar aos mesmos 38 pontos do time cearense e ao mesmo número de vitórias (10), mas esbarraria no terrível saldo de gols que tem (-29) contra (-4) do Ceará. Portanto, uma derrota alagoana sela o rebaixamento.

Além desses jogos, outros podem ajudar. Um deles é a vitória do Fortaleza sobre o Goiás combinada com uma vitória do Corinthians contra o Atlético/MG. Tal resultado praticamente assegura o Timão, próximo adversário do Ceará, quarta-feira à noite, às 19h30, na Arena Castelão, no grupo da pré-Libertadores. Na teoria, com a vaga encaminhada, o Alvinegro local poderia encontrar menos resistência.

No entanto, estas são conjecturas. O problema do Ceará é o próprio Ceará. A equipe parece se sabotar em alguns momentos, principalmente nas chances que desperdiça.