Todo mundo já foi Carla um dia porque está cheio de Arthur por aí

Arthur e Carla Diaz no BBB 21

Lembram a historinha que contavam pra gente na infância, que dizia: “se ele te trata mal, é pq gosta de você?”.

Mesmo esse dito popular, que muitas mulheres já ouviram quando eram meninas, tendo se perpetuado por muito mais tempo do que deveria, já deveríamos saber que ele caiu por terra faz tempo e nunca fez sentido. 

No BBB, Carla Diaz vem sofrendo nas mãos de Arthur. Como um enredo clássico de um filme ultrapassado, Arthur agiu como um típico homem hétero de orgulho ferido e ego nas alturas. 

Arthur “flechou” Carla, deixou claro o interesse, fez até ceninha antes do primeiro beijo. Após tê-la conquistado, aplicou o chamado “ghosting”, que confinado em uma casa não permite o sumiço completo, mas passou a ignorar a então companheira, tratá-la com indiferença e fazer com que ela se sinta confusa. Na vida real, seria aquele cara que pararia de responder as mensagens, mandaria uma ou outra resposta evasiva e quando você questionasse o que estava acontecendo, mandaria um “tá tudo bem, você que está paranoica”. 

É fácil pensar em sua própria história ou lembrar de alguma que aconteceu próximo a você de um relacionamento fadado a terminar no qual cara, fugindo da responsabilidade, passa a tratar a companheira feito lixo em vez de assumir que não deseja mais estar naquela relação. Até que tudo se torne insuportável e a mulher, finalmente, tome a decisão. Assim ele está livre para dizer que tentou de tudo, mas no fim, ela que não quis mais. 

Oi, sumida

Com os olhos abrindo aos poucos (bem poucos), Carla resolve então viver a vida, curtir a festa, brilhar sem se preocupar com o carinha. E, como não poderia deixar de ser mais típico, o ego de Arthur é inflamado e ele resolve usar todas as suas armas.  Voltando à alegoria da vida real, seria o equivalente a mandar um “oi, sumida” no WhatsApp.

Para Carla e parte da casa, ele alega estar “confuso” e não saber lidar com “estar apaixonado”. Ao seu redor, o grupo que “torce pelo casal” utiliza um argumento que só é válido para homens brancos héteros maiores de idade e com barba no rosto: ele é só um menino. Caio foi um que alegou à Carla que "homem apaixonado é igual menino bobo". Sabemos o quanto “menino” e “garoto” é usado no mundo para se referir a homens adultos, não é? 

É algo profundamente incômodo essa infantilização e ausência de responsabilidade pelos atos a que é dedicada aos homens. Ainda mais se essa for uma responsabilidade afetiva, de ser honesto, claro e direto com quem há uma troca de sentimentos. Ou por quem dedica um sentimento por eles. Anota: é o típico cara que diz que a ex é louca.  

Alguns participantes tentaram alertar a Carla sobre o quanto ela estava se ausentando de si mesma para proteger e compreender Arthur. Mas, só quem já foi Carla ou quem já teve uma amiga em situação de Carla sabe: é extremamente difícil abrir os olhos quando o assunto é esse tipo de relacionamento. Afinal, se grande parte da sociedade abona o comportamento tóxico do cara e somente responsabiliza a mulher, o tempo perdido sentindo-se “louca” ou culpada por tudo o que se passa é precioso no quanto ela ainda vai ficar presa à relação antes de abrir os olhos. 

Legenda: Adulto e com barba no rosto: Arthur é mesmo um "menino bobo"?
Foto: reprodução

Nenhuma mulher está livre de cair em ciladas como Carla. Pode ter mais de 30 anos, pode ter conhecimentos de feminismo, pode ter uma rede de amigas atentas, pode tudo e mesmo assim entrar em uma relação tóxica. Mas, para sair, investir em terapia, contar com apoio de amigas insistentes e família parceira, observar o comportamento do outro e colocar-se em primeiro lugar são fundamentais. Algo, claro, muito difícil para quem está em confinamento com o seu algoz e fragilizada emocionalmente. Não, não estou necessariamente falando de BBB nesse trecho. 

Durante um período do programa, Arthur disse estar preocupado se estava parecendo um “maxo escroto” aqui fora da casa. Em seu vídeo de inscrição para o BBB, disse que não gosta de ver um homem incomodando uma mulher na balada e costuma intervir (porém, o próprio agiu assim com a Cala). O discurso veio todo pronto, já que Arthur e uma parte masculina do mundo conseguiu entender que parecer um maxo escroto é ruim. Só esqueceu de compreender que ter atitudes de maxo escroto é, de fato, a pior parte.

Se ele te trata mal, é porque não gosta de você, só dele mesmo!