Série "Sessão de Terapia" me encorajou a iniciar a análise

Nova temporada estreou hoje (4), na Globoplay. Foi assistindo à temporada anterior que decidi começar a frequentar sessões de terapia

Sabemos o quanto a arte, a dramaturgia, a encenação podem ser poderosas. São capazes de refletir um tempo, podem questionar um comportamento e ainda desanuviar a mente levando a fantasias nunca realizáveis. Influenciam modo de vestir, inspiram nomes, levantam debates. Todas essas experiências já fizeram parte da minha relação com a dramaturgia, mas foi também a ficção que me fez criar coragem de enfrentar a sala de um analista

A série “Sessão de Terapia” foi, para mim, o gatilho encorajador para iniciar esse processo. A série, estrelada e digirida por Selton Mello, passeia pelos questionamentos dos pacientes e pela vida pessoal do terapeuta. Nesse ínterim, revela um pouco do que é a dinâmica de uma conversa com um analista. Essa semana, "Sessão de Terapia" iniciou uma nova temporada que conta, inclusive, com a participação de Rodrigo Santoro

Óbvio que tudo ali não passa de ficção, afinal, quando é que entramos em uma sala de análise e damos de cara com Selton ou Rodrigo? Muito menos as salas costumam ser tão visualmente bonitas como é o apartamento do protagonista Caio Barone. Mas, como a proposta do enredo passeia pelo desenvolvimento do que costuma ser um acompanhamento de um psicanalista, foi mais fácil encontrar ali o ímpeto de encarar, finalmente, a terapia. 

A gente sempre sabe quando chega o momento em que precisa ir a uma terapia. Porém, mesmo quando essa certeza bate, é difícil partir para a etapa de marcar uma sessão. Arrumamos todas as desculpas possíveis! Para quem nunca teve uma experiência desse tipo na infância ou adolescência, por exemplo, iniciar uma terapia na vida adulta requer ultrapassar algumas barreiras, principalmente de medo e dúvidas.

Assitindo à TV, no entanto, me identifiquei tanto com a história de uma personagem (Chiara, vivida por Fabíula Nascimento na quarta temporada) que me senti mais confortável em, talvez, fazer aquele papel (no caso, de paciente). 

Eu fui essa pessoa. Sabia que a hora já estava batendo há anos, havia passado por momentos importantes na minha história e que precisava dividi-lo com alguém que não fossem amigos ou família. E acho que é aí uma parte dos erros de quando se recomenda alguém a sentar na cadeira de frente a um terapeuta: dizer que ali você vai contar aquilo que não conta a ninguém, revelar os seus segredos.  

Veja bem: se eu carrego meus segredos tão seguros comigo e não desejo revelá-los a qualquer pessoa, porque cargas d’água eu me sentiria confortável na ideia de  dividi-los com um desconhecido, ainda mais um desconhecido que irá, quem sabe, questionar todo aquele episódio. Não, não vai ser dizendo para alguém que ela vai revelar seus segredos sombrios a um terapeuta que a levará a um consultório. E foi assistindo a esta série de TV que vi que não é bem assim que funciona. Pelo menos não no começo. 

Em "Sessão de Terapia", compreendi que as primeiras sessões são mesmo bem esquisitas e que tentamos quase atuar naquela salinha. Que as histórias partilhadas são as mesmas que você conversa com tantas outras pessoas, mas que a mudança acontece na escuta do analista.  Que as intervenções são poucas, porém certeiras. Que não há aconselhamento, mas direcionamento. 

Foi a ficção, portanto, que me fez enxergar parte da vida real e tornar a experiência de iniciar o processo de terapia ou análise menos assustadora.

E os tais segredos? Podem chegar a ser revelados, ou não. Quem faz a sessão de terapia é você.