Geração Hey Ho, Órbita ou Mambembe é critério para a fila da vacina?

Ter frequentado tantas casas de shows de estilos diferentes em Fortaleza pode ter atrapalhado meu cadastro

Legenda: Quem frequentou o Órbita quando ele tinha essa fachada já deveria estar vacinado
Foto: Reprodução

Com a atual movimentação da vacina em Fortaleza, uma nova paranoia entrou na minha mente. 

Pelo twitter, o perfil @SartoNaMassa, entre outros, vem anunciando o calendário de vacina a partir da geração de qual balada você frequentou na juventude. E, dentro da minha idade e sendo uma pessoa que gostava de 'andar no meio da rua' desde muito nova, sinto que alguma coisa no meu cadastro não está funcionando. 

Fico pensando se o pessoal da Secretaria de Saúde fica checando qual festa você frequentava, com qual galera você andava e qual período na semana você costumava estar por aí. Ou ainda, qual o seu gosto musical pra saber se você se encaixa ali no grupo a ser contemplado com a imunização. 

Isso porque estou percebendo que a geração Hey Ho Rock Bar, por exemplo, já está se vacinando. Aquela que tinha banda de hardcore, usava cinto de tachas, tocava todo fim de semana no palco ainda improvisado e sustentava a noite tomando um drink chamado Pau Mel, que sabe-se lá o que ia dentro. Toda essa moçada aí, ó, já tomou a sua primeira dose. Certamente todos os integrantes da Switch Stance, Capones e Kubaican foram vacinados. Isso que não estou nem me referindo a geração Ritz e Domínio Público, que essa já deve estar na fila pra segunda até. E eu, senti nem o cheiro da agulha.  

Ao mesmo tempo sinto que ou tá perto ou estão jájá contemplados também os frequentadores do Noise 3D, bem como os do Acervo Imaginário. Não sei ainda como está o critério playlist pro cadastro, né? Ainda não cheguei a uma conclusão. Mas, se os Hey Ho já entraram, não é possível que os antigos vizinhos não estejam dentro. 

E aí a geração Grande Encontro do pagode no Estaleiro, tá aonde? Já viu seu nome nas listas? Porque o meu, ainda nada. Por isso me questiono sobre o critério musical, vai que quem faz a seleção é daquela galera do "rockeiros versus pirangueiros" (lendário video no YouTube)? Tudo bem que eu era BEM adolescente quando comecei a ir pro Estaleiro, sabia todas as coreografias e dançava os 40 shows de bandas diferentes com o mesmo repertório. Mesmo assim, sinto que tá demorando demais.

Isso porque também sou geração Mucuripe Ilhas, onde ia pra Mustike aos domingos na matinê que tocava Vinny Mexe a Cadeira e a tinha pipoca e guaraná de graça. Já era pra ter chegado a minha vez, não? 

Alguém, aliás, sabe me informar se a galera que andava na Festa Normal, na Biruta, também já se vacinou? A turma ali do Damas Primeiro, sabe? Que ia dia de terça pra Praia do Futuro e ouvia o dono da barraca anunciando "Alô, Birutas" e bebia um drink homônimo que, assim como o do Hey Ho, jamais saberemos o que ia dentro. Bem como a geração Chopp de Vinho no Bixiga dia de segunda-feira no Dragão do Mar. Me encaixo em todas essas, mas sigo sem encontrar meu nome nas listas

Legenda: E quem ia pra Festa Normal, já tomou a primeira dose?
Foto: Reprodução

Vale lembrar ainda que tem a geração Órbita, quando o ingresso ainda custava R$5,00 e tinha performance dos bartenders dançando YMCA. Quando dia de quinta era reggae, dia de sexta era cover, sábado ninguém ia e o domingo com as bandas residentes que fizeram nome ali naquela casa rodeada por pôsteres.

Aí penso que, se for contar as tantas gerações Órbita, deve ter uma galera que já vacinou faz tempo e outra que tá nem perto de chegar. Mas, sendo eu uma pessoa que já fez parte até do staff da casa quando ainda existiam os "orbitais" pra quem era da lista de consumação, não estar ainda vacinada não é um absurdo?

A geração Mambembe, então, dizem que 'vem aí'. Essa, por sinal, também sou e por ali virei muitas noites dançando com a Fertinha. Dizem que os frequentadores da casinha mais charmosa da Rua dos Tabajaras não se aguentam mais por esperar para sua primeira dose. 

Geração Fafi, Forró no Sítio, Bebedouro, Music Box e tantas outras casas que marcaram a história recente de Fortaleza seguem ansiosos pelo seu momento de serem vacinados. E eu, que fiz parte dessas todas, não me aguento de ansiedade.

Será que ter frequentados esses e tantos outros locais da cena alencarina deu um 'bug' no meu cadastro e já não sabem mais em qual grupo me encaixo? Alô, Sesa! Me ajuda aí. 

 

 

 



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