Ser bruxa hoje é motivo de orgulho

Poucas coisas são mais poderosas do que apropriar-se de termos que nos rebaixavam para nos vangloriar e orgulhar

Hoje é Dia das Bruxas. Porém, mais do que uma desculpa para festas e fantasias, é também dia de celebrar as bruxas modernas que transitam entre nós ou que estão dentro de você. Sim, longe do imaginário popular fomentado por religiões, filmes, livros e desenhos animados, a figura da bruxa não está dentro da ideia de uma velha com verrugas e maldosa. 

Qualificar uma mulher como bruxa para deixá-la à margem da sociedade e ainda condená-la à fogueira foi uma estratégia usada há décadas como forma de manter o homem na esfera mais alta do poder. "As mulheres que viviam sem o apoio da família patriarcal, especialmente de pai ou marido, tinham pouca influência e quase nenhuma proteção legal e social que garantissem reparação para eventuais injustiças que viessem a sofrer", explica o livro História da Bruxaria. E aí todo e qualquer movimento poderia ser tratado como uma praga ou uma invocação de poderes diabólicos. 

Ora, que mulher não já foi xingada de bruxa quando toma alguma atitude mais enérgica ou não está disposta a ser doce e gentil? 

Em 2019, muitos dos nomes que usaram para nos atacar foram incorporados e ressignifcados por nós. Ser bruxa hoje não é xingamento, é motivo de orgulho. É o que dizem as personagens que entrevistamos em matérias no Verso, TV Diário e G1. Poucas coisas são mais poderosas do que apropriar-se de termos que nos rebaixavam para nos vangloriar e orgulhar. 

Olhe ao redor e veja que a bruxa está mais perto do que se imagina. A capa da revista com Fernanda Montenegro, o clipe de Formation com Beyoncé e seu imenso chapéu, Angelina Jolie e sua Malévola nos cinemas, as séries na Netflix, os desfiles de moda na SPFW… há bruxas em tudo o que vejo. 

Ser bruxa tem a ver com autoconhecimento, ligação com a natureza e conexão com o feminino. Mais do que isso, não curvar-se jamais! Somos hoje as netas das bruxas que não conseguiram queimar. e não nos queimarão. "E lá vamos nós..."