Sabrina Sato e o direito feminino de dizer não

A apresentadora foi alvo de críticas após declaração sobre não sentir tesão depois da maternidade

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Foto: reprodução/ Instagram

"Quem tem vontade de fazer sexo depois de ser mãe?", questionou a apresentadora Sabrina Sato essa semana em entrevista a uma revista. Sim, Sabrina Sato, "símbolo sexual" (credo, que termo horroroso) declarou que, ora bolas, muitas vezes não tem vontade de fazer sexo.

Luana Piovani, outra atriz que permeia e permeou por anos o imaginário masculino hétero declarou algo parecido recentemente. "A gente não tem vontade de dar, tá se sentindo feia, e fica com raiva só do cara querer te comer", revelou em entrevista também sobre o sexo pós-parto. 

Algumas determinações patriarcais dominaram (e, infelizmente, ainda dominam) as relações entre homens e mulheres durante décadas e reforçam a ideia de que mulheres devem estar sempre prontas para atender a demandas masculinas pois, caso contrário, o homem procuraria "na rua". Não havia direito ao 'não':  palavra simples, de entendimento coletivo, e que na boca feminina parece ser estrategicamente incompreendida. Movimentos feministas de diferentes vertentes reforçaram: o não é não.

E, nessas negativas, há o direito de dizer que não quer sexo. Mesmo se você for casada com a pessoa, mesmo se você começou e não quis terminar, mesmo se você já manteve alguma relação com ele, mesmo se você estiver usando uma roupa sensual e, pasmem, mesmo se você for uma artista famosa ultrasexy. Tem horas que, simplesmente, não estamos afim. 

Nos comentários das matérias, grande parte se referia ao marido de Sabrina. Afinal, quem importa nessa história? Quem está passando por uma carga imensa de cobrança física e emocional que merece atenção? Para muitas pessoas parece ser… o homem. "Corno", "casamento com dias contados", "eu não fiquei assim", "coitado", eram alguns dos termos enviados à notícia.

Não é de se espantar, portanto, que os índices de separação sejam maiores no período que vai até cinco anos após o nascimento do bebê. Além de suprir alimento, atenção, disposição, cuidados e carinho a um ser que acabou de chegar ao mundo, a mulher ainda deve satisfação à sociedade se não voltar a ter a mesma forma física de antes e ao marido, que exige o mesmo tesão de antes. Não é injusto?

Da próxima vez, que tal desejar que o marido seja um homem compreensivo, parceiro e, junto com a mulher, se dedique intensamente àquela nova fase da família em vez de questionar como está a vida sexual do casal? 

A própria Sabrina Sato afirmou que precisamos falar mais sobre isso. Sim, precisamos falar mais sobre a vontade da mulher, seja ela de fazer sexo com quem e quantos quiser como também a de não fazer quando não estiver afim.

E, sempre bom lembrar, mesmo que seja casada, se a mulher for forçada a ter relação sem consentimento, ou seja, sem querer: é estupro!  

20,3% dos abusadores são parentes, 15,2% conhecidos e 12,6% são namorados, maridos ou companheiros, segundo o Mapa da Violência contra a Mulher de 2018.

Até meados dos anos 1970, a submissão da mulher no casamento era inquestionável, quantos mais discutida. Em alguns estados dos EUA, era considerado legal um homem estuprar a esposa, desde que fossem casados. Não soa absurdo para você? Deveria. 

Sendo assim, reforçar essa ideia de que a mulher deve estar sempre pronta para o sexo, é fortalecer a cultura do estupro. E essa, definitivamente, necessita ser combatida. Sabrina, mulher, estou contigo!