Paolla Oliveira, Luísa Sonza e Scarlett Johasson têm mais em comum do que você imagina

E isso não é exatamente algo positivo.

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Símbolo máximo da padronização da "beleza feminina", o desfile deste ano da marca de lingerie Victoria Secret's foi cancelado. Divulgação

O que Paolla Oliveira, Luísa Sonza e Scarlett Johasson têm em comum? Mais do que lindas e loiras, são todas mulheres famosas, brancas, estrelas de TV/música/cinema e que, na última semana, tiveram seus corpos postos "à prova". Sim, o corpo feminino foi, mais uma vez, foco de notícias que rodaram em portais na última semana. 

Celulite, barriga e até o quanto "balança" um bumbum tiveram destaque em comentários nas redes sociais e ganharam notícias relacionadas. Houve quem se mostrasse inconformado com o fato de, pasmem, Paolla ter celulites, com Scarlet ter a "ousadia" de ir à praia ostentando uma barriguinha não-tanquinho e com Luísa ter um bumbum que balança ao dançar. Você, mulher que lê esse texto, vê algo de incomum nessas características? Provavelmente não, porque elas são absolutamente normais e devem condizer com a imagem que você mesma vê ao espelho quando se olha.

Agora, você, homem, por que mesmo se acha no direito de questionar a aparência de toda e qualquer mulher? 

Anos de imagens retocadas em revistas e imposição de padrões como forma de oprimir e manter mulheres gastando tempo e dinheiro com seu corpo enquanto homens dominam o mercado de trabalho e investem na própria carreira - bem como um mercado que lucra com a nossa baixa autoestima (é só dar uma olhada em onde está o foco das clínicas de estética) - fizeram com que celebridades tenham que vir à público se explicar sobre a forma física. 

A parte boa é que Paolla, Luísa e Scarlett apostaram no discurso que reforça que são corpos absolutamente normais, ainda repletos de privilégios uma vez que são mulheres brancas e magras, e que nenhuma outra mulher deveria se sentir diminuída socialmente a partir da quantidade de celulite que tenha ou de que forma como a bunda balança. 

Scarlett foi além e comentou sobre o quanto foi sexualizada em sua carreira no cinema. "Sinto que quando eu estava trabalhando aos meus 20 e poucos anos e até o final desses 20 anos, de alguma forma, fui estigmatizada. Eu era muito hiperssexualizada", disse a atriz em uma mesa redonda da revista norte-americana The Hollywood Reporter. "Eu acho que na época parecia ok para todo mundo. Foi outro tempo", continuou. "E acho que funcionou na época, mas foi realmente difícil para mim tentar descobrir como deixar de ser uma ingênua, ou 'a outra mulher'".

Sinal desse outro tempo citado por Johasson foi o cancelamento do desfile anual da marca de lingerie Victoria's Secret. Símbolo máximo da padronização da beleza feminina com um referencial eurocêntrico, magro e excludente de toda e qualquer diversidade, o desfile das Angels não cabe mais nos tempos atuais. Triste, porém, é ver que a decisão parte de acabar com o show e não de torná-lo mais inclusivo. 

Entre o fim do desfile das Angels e a celulite de Paolla, ficamos não só com o desejo de uma beleza mais real e possível, mas também para que as pautas das mulheres sejam para além da sua aparência física. Falemos de suas conquistas profissionais, seus feitos, músicas e produções. Somos muito, mas muito mais do que o nosso corpo.