Pandemia: empresários lamentam, mas entendem a prorrogação do isolamento

Ceará entra no pico da pandemia do coronavírus, os casos da Covid-19 aumentam e o número de mortes, também. Na periferia das cidades cearense, as aglomerações continuam, o que tem agravado a situação.

Há, no Ceará, um grupo de pessoas que cumpre o isolamento social decretado pelo governador Camilo Santana para evitar a propagação da pandemia do coronavírus e, ao mesmo tempo, para permitir que a rede de saúde pública se prepare para o pico dos casos, que está começando exatamente nestes dias.

Em Fortaleza, esse grupo localiza-se nos bairros de melhor índice de educação e de renda.

Nas cidades do interior, também.

Na periferia dessas cidades - esta capital no meio - pelo que se vê diariamente, tem sido impossível evitar as aglomerações humanas.

Resultado: a explosão do número de casos e, lamentavelmente, de óbitos.

O governador Camilo Santana, diante do que aconselham o seu secretário de Saúde e, ainda, o seu Comitê de Crise, não tem nem terá outra saída, que não a de prorrogar por mais duas semanas, no mínimo, a validade do decreto que manda a população ficar em casa.

Ele já admitiu que poderá tomar atitudes mais drásticas para evitar a maior propagação da doença. 

Isto quer dizer que permenecerão interditadas as atividades econômicas, com exceção daquelas consideradas essenciais à vida humana, e que já funcionam.

Essa interdição gera também - como a pandemia - graves consequências sociais, a maior das quais é o aumento do desemprego.

Justificando, antecipadamente, sua decisão de manter o isolamento social, Camilo Santana disse ontem, por meio de uma mensagem distribuída por rede social, que “quanto mais pessoas nas ruas, maior a proliferação do vírus e maior a gravidade da situação”.

E ajuntou: “Sem vida não há trabalho".

O governadorfoi adiante e afirmou: "O momento agora é de luta pela saúde e proteção das famílias”.

O empresariado – mesmo desejando que se retomem as atividades da indústria, do comércio e dos serviços – entende a posição do governador, que foi eleito - e reeleito - para tomar decisões.

E as tem tomado no tempo certo.

AÇUDES

Ontem, sexta-feira, 1º de maio, o açude Castanhão ultrapassou uma marca importante.

Neste momento, ele está acumulando 1,015 bilhão de m³ de água (sua capacidade total é de 6,5 bilhões).

E o Orós, localizado à montante do Castanhão, passou dos 500 milhões de m³.

Os agricultores da região do Baixo Jaguaribe, incluindo os fruticultores e criadores de camarão, celebram, pois terão água para tocar seus projetos.

Mas eles também já sabem que a estação das chuvas está terminando.

 VIVA O SORGO

Por falar em agricultura irrigada!

Na fazenda Agrícola Famosa, na Chapada do Apodi, começará a ser colhida na próxima semana a safra de sorgo plantada em área de 300 hectares em parceria com a fazenda Flor da Serra, do empresário e pecuarista Luís Girão.

Por causa das boas chuvas, a safra é tão boa, que a altura das plantas alcançou 2,5 metros.

ISOLAMENTO

Ontem, empresários da indústria e da agropecuária trocaram mensagens pelas redes sociais.

Eles convergiram para uma conclusão:

A de que a saída do isolamento social, no Ceará, será no fim deste mês de maio, quando a curva dos casos de coronavírus entrará em declive.

MORO

Mais gasolina no incêndio da crise sanitária, econômica, financeira, social e política por que passam o Brasil e sua população.

Neste sábado, o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, presta depoimento aos delegados da Polícia Federal que comandam o inquérito - aberto pelo STF a pedido do Procurador-Geral da República - destinado a apurar denúncias de interferência do presidente da República em investigações da PF.

Este é um fim de semana que promete fortes emoções.