Camarão a R$ 18 nas fazendas de criação do Ceará

Carcinicultores informam que o preço do camarão de 10 gramas, o mais consumido, está abaixo do da carne bovina e ovina e similar ao da suína. E mais: Casa da Indústria, um edifício sustentável

Legenda: Ainda é baixo o consumo de camarao no Brasil: apenas 500 gramas por habitante/ano
Foto: Diário do Nordeste / Honório Barbosa

Carcinicultores cearenses deram-se as mãos para transmitir ao consumidor uma boa notícia: o preço do camarão de 10 gramas, o mais consumido nas redes de restaurantes populares ou de categoria cinco estrelas, foi fixado em R$ 18 por quilo nas fazendas de criação. 

Eles logo acrescentam: “É mais barato do que o quilo da carne bovina e ovina e similar ao da carne suína e de frango, sendo, também, uma proteína de alto valor.” 

De acordo com os carcinicultores, 100 gramas e camarão contêm cerca de 20 gramas de proteína, apenas três gramas a menos do que a mesma quantidade encontrada no peito de frango. 

Como se tivessem sido treinados para defender o consumo maior do camarão, os carcinicultores repetem as virtudes do seu produto. Eles têm um discurso pronto, extraído do Google: 

“O camarão é uma proteína de alto valor biológico, ou seja, o que se chama de proteína completa. Ela tem todos os aminoácidos de que o organismo humano precisa. É uma ótima fonte de ômega 3, rico em vitaminas como cálcio, iodo, potássio, zinco e selênio.”

Apesar de toda essa eficácia, o camarão ainda tem baixo consumo no Brasil— apenas 500 gramas per capita por ano, de acordo com a última estatística disponível. 

A tecnologia trouxe o camarão, que era uma cultura marinha, para a criação em cativeiro, em águas interiores. 

No início, há 20 anos, militantes ambientalistas contestaram a existência de fazendas de criação, mas a ciência tratou de provar que a atividade da carcinicultura não causa danos ao meio ambiente, sendo que as grandes áreas criatórias têm colaborado para a melhoria dos ecossistemas, principalmente nas proximidades dos manguezais. 

A carcinicultura, no Ceará e no vizinho Rio Grande do Norte, que são os maiores produtores brasileiros de camarão, vem promovendo uma mudança radical em alguns municípios potiguares e cearenses: antigos agricultores estão trocando a enxada do roçado pela criação de camarão.

Há uma razão muito forte para esse câmbio: para o pequeno produtor rural, a carcinicultura é muito mais lucrativa do que a agricultura, além de ser uma cultura perene. 

E como é salobra a água do subsolo do sertão jaguaribano, no Leste do Ceará, onde avança a criação de camarão, os custos de produção se reduzem, ampliando ainda mais o número de pessoas que deixam de lado a agricultura e se lançam ao enfrentamento da boa novidade. 

O cearense Cristiano Maia, presidente da Camarão BR, entidade nacional que congrega os maiores criadores de camarão do país, observa com alegria o crescimento da carcinicultura aqui e no Rio Grande do Norte. Ele aposta no futuro próximo carcinicultura brasileira:

“Estamos trabalhando junto ao Ministério da Agricultura no sentido da reabertura do mercado europeu para o camarão produzido no Brasil. Não é uma tarefa fácil, pois mexe com interesses não somente de europeus, mas também de asiáticos, que são igualmente grandes produtores. Mas a perspectiva já foi pior. Hoje, há uma chance real de retomarmos as vendas do camarão brasileiro para a Europa”, resume Cristiano Maia, que é o maior criador de camarão do país. 

CASA DA INDÚSTRIA: UM PRÉDIO SUSTENTÁVEL

Por iniciativa do Sindicato da Indústria de Reciclagem do Ceará, o edifício sede da Federação das Indústrias (Fiec), denominado de Casa da Indústria, será um prédio sustentável do ponto de vista ambiental. 

Para isso, já foram instalados o sistema de coleta seletiva de resíduos, uma Ilha Ecoenel, uma fonte própria de geração de energia solar, o cálculo constante da quantidade de emissão de gás de efeito estufa, a instalação de uma horta orgânica, um sistema de compostagem, a fabricação de sabão com óleo de cozinha usado, a presença de um técnico ambiental e o pedido de Selo ESG (governança ambiental, social e corporativa).

Quem quiser saber como tudo isso existe e funciona, é só passear pelos jardins da Casa da Indústria e observar detalhes no chão e nas paredes.
Agora, é aguardar pelo Selo ESG.

EMBRAER ENTREGA O IPANEMA NÚMERO 1.500

Ícone tecnológico da agricultura brasileira com cinco décadas de operação, o avião agrícola Ipanema, da Embraer, chegou à marca de 1.500 unidades entregues. 

A aeronave, que recebeu uma pintura comemorativa alusiva ao marco histórico e com referências ao agronegócio nacional, foi recebida ontem pela pecuarista Carla de Freitas, proprietária da Agropecuária Bela Vista, com sede em Vilhena, no Estado de Rondônia. 

A celebração aconteceu em meio a mais um ano de vendas recordes da aeronave que, nos primeiros cinco meses de 2022, registrou 39 novos pedidos. 

Esse número é 22% maior quando comparado com o mesmo período do ano passado. Somente na Agrishow, realizada muito recentemente em Ribeirão Preto, foram vendidas 11 aeronaves do modelo 203, o mais moderno da série. 

O Ipanema 203 incorpora as mais recentes inovações tecnológicas do segmento e ultrapassa o número de 130 aeronaves em operação no país. A família de aeronaves Ipanema está em sua quinta geração.