Beleza dos granitos do Ceará está encantando o mundo

As exportações cearenses de rochas ornamentais crescem de ano para ano. Leia mais: 1) Honório Pinheiro: "Varejo vai bem e 2º semestre será melhor; 2) Samaria Rações segue em três turnos; 3) Venda de pescados também melhoram

Só boas notícias chegam do setor cearense de extração, beneficiamento e exportação de rochas ornamentais. 

A primeira informação, transmitida pelo próprio presidente do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos do Ceará (Simagran-CE), Carlos Rubens Alencar, indica que “o mercado interno brasileiro está muito aquecido”.

E o mercado externo, também, e tanto é verdade que as exportações de mármores e granitos extraídos do solo cearense têm sido incrementadas “de ano para ano”. 

“No ano passado de 2020, em plena pandemia, o mercado de rochas ornamentais do Ceará cresceu 15%, e neste ano deverá crescer bem mais”, antecipa Alencar, acrescentando uma informação importante:

“O Ceará não tinha muita expressão no mercado internacional, mas agora é uma atração, graças à extraordinária beleza das nossas rochas. E foi isto, e só isto, que atraiu os investidores, que aqui chegaram encantados pelas nossas pedras. Na verdade, as pedras que estão, hoje, na moda no mercado de pisos e revestimentos são cearenses. Posso assegurar que o Ceará tem uma geologia favorável, e aí entram os nossos quartzitos, as rochas superexóticas, que alcançaram e conquistaram não só o mercado brasileiro, mas o mercado mundial”.

De acordo com o presidente do Simagran-CE, “algumas das principais pedras que hoje são adoradas no mundo todo são extraídas do solo do Ceará”. 

Carlos Rubens Alencar acrescenta:
 
“Há três anos, temos um navio por mês para a exportação dos nossos blocos. Antes disso, nossa exportação era feita pelo Porto de Vitória, no Espírito Santo. Neste segundo semestre de 2021, passaremos a ter um navio por mês com destino aos portos europeus, norte-americanos e asiáticos.”

Otimista com o futuro próximo do setor, ele não tem dúvida de que as empresas capixabas – que estão no Ceará extraindo mármores e granitos, transportando-os para o Espírito Santo, onde são beneficiados, agregando valor e exportando-os – já sabem que essa logística se tornará mais complicada ainda.

“Não temos cabotagem e, pior, também não temos caminhão. Por falta de caminhão, há muitos blocos de mármores e granitos encalhados aqui no Ceará desde o começo do ano”, revela Rubens Alencar, para quem está havendo, no Brasil, “um apagão logístico”, para cuja superação o Simagran tenta organizar um esquema de cabotagem (navegação entre portos nacionais), o que, igualmente, é difícil, porque, como no transporte aéreo, há apenas três ou quatro companhias que monopolizam o mercado.

Uma empresa espanhola de navegação mostrou interesse em colocar dois dos seus navios para fazer cabotagem no Brasil, transportando do Pecém para Vitória os blocos de rochas ornamentais do Ceará, mas a ideia não se viabilizou por causa do marco regulatório que a impede.

Em 2016, seis das maiores empresas capixabas de extração e beneficiamento de mármores e granitos acertaram com o governo do Ceará, “com papel assinado e tudo”, sua instalação na ZPE do Pecém. 

Em 2017, porém, o Porto de Roterdã tornou-se sócio da CIPP S/A, que administra o Complexo Industrial e Portuário do Pecém e, também, a ZPE, o que retardou muito uma decisão sobre o acordo com os capixabas, que, profundamente decepcionados, transferiram seus projetos para os EUA, a Espanha e para o próprio Espírito Santo.

Mas, de acordo com Carlos Rubens Alencar, ainda há duas ou três empresas do Espírito Santo que, “se bem conversadas”, poderão investir na implantação de indústria de beneficiamento de granitos e mármores na ZPE do Pecém.
 
“Cabe à ZPE fazer esse trabalho de atração dessas empresas”, disse o presidente do Simagran.  

HONÓRIO PINHEIRO: VAREJO VAI BEM

Outro empresário otimista com a economia do Ceará é Honório Pinheiro, sócio e CEO da rede Supermercados Pinheiros.
“A meu juízo, o varejo cearense vai bem, ainda se recuperando, evidentemente, do impacto sofrido (pela pandemia da Covid-19). Ele cresce em todos os segmentos”, diz Pinheiro, para quem o melhor está vindo.

“Este segundo semestre nos remete a um cenário promissor, principalmente se forem implementadas as medidas governamentais anunciadas”, atesta ele, referindo-se à reforma tributária com mudanças no Imposto de Renda e à reforma administrativa, ambas com dificuldades de aprovação no Congresso Nacional.

Falando especificamente sobre o seu setor, Honório Pinheiro comenta:

“O desempenho dos supermercados melhorou com a ampliação do horário de funcionamento os outros segmentos do comércio, e a perspectiva é de uma excelente performance nesta segunda metade do ano”.

Ele revelou que a rede Supermercados Pinheiro está executando seu plano estratégico para 2021, que prevê a abertura, neste ano, de mais três lojas – uma em Aquiraz, outra em Maranguape e mais outra no Porto das Dunas, bem na rotatória que desce para o Beach Park.

ESTÃO VOLTANDO AS VENDAS

Logística complicada, preços altos e câmbio valorizado estão criando problemas para as indústrias que dependem de milho, soja e outros insumos agrícolas para o seu funcionamento.

Mas há empresas que vêm suportando bem essa tribulação, como é o caso da Samaria Rações, uma das empresas do Grupo Samaria, pilotado pelo multiempresário Cristiano Maia.

Ele disse ontem à coluna que sua fábrica de rações, instalada e em operação no Distrito Industrial de Maracanaú, segue produzindo nos três turnos, produzindo rações para peixes, camarão, suínos, equinos e bovinos.
 
Cristiano revela com alegria:

“Estamos vendendo tudo o que produzimos”.

Antes que a coluna o indagasse, ele acrescentou:

“Na Samaria Camarões, também estamos comercializando a produção, sem problema, o que tem sido possível pela retomada das atividades dos restaurantes, bares e hotéis no Nordeste e nas demais regiões do país, também atendidos por nós”.

OTIMISMO TAMBÉM NO VAREJO DE PESCADOS

Aproveitando o embalo otimista deste sábado, vale registrar, ainda, a alegria dos irmãos Manuel e Francisco Rocha, donos da F. S. Rocha Pescados e Mariscos, segundo os quais “parece que o pior já passou”, referindo-se não só à pandemia da Covid-19, mas, principalmente, às vendas de suas duas lojas (a outra é a Somariscos).

A dupla fraterna fez as contas e revela que as vendas de hoje estão quase iguais às de antes da pandemia, adiantando um detalhe: neste mês de julho, que é de férias escolares, costuma aumentar o consumo de peixe, camarão e carne.
 
“Não sabemos por que isso acontece, mas elas sempre sobem em julho”, comentam Manuel e Francisco Rocha.