Apodi: nova invasão de terras

Polo de produção agropecuária em franca expansão e, também, endereço, no curto prazo, de grandes plantações de algodão e trigo, a Chapada do Apodi, no Leste do Ceará, ameaça virar uma dor de cabeça para empresários que já investem lá e para os que pretendem fazê-lo. A causa é a declarada insegurança pública. Na madrugada do último sábado, 31, um grupo de pessoas invadiu, ocupou e já dividiu entre si 30 hectares de uma área de reserva do Projeto de Irrigação Jaguaribe-Apodi (Dija). Desta vez, os invasores - segundo fontes desta coluna - são pessoas que residem na geografia dos municípios de Limoeiro do Norte, Quixeré e Tabuleiro do Norte.

Por que invadiram? A resposta das mesmas fontes é esta: como não há qualquer punição legal contra quem invade terras no Dija, essas pessoas sentiram-se incentivadas a apoderar-se do que não lhes pertence. Cometeram um crime.

Há quatro anos, no mesmo Dija, mas embalado por outros motivos, um grupo de centenas de pessoas apossou-se de quase 300 hectares infraestruturados com canais de irrigação, rede de energia elétrica e estrada vicinais, nos quais se encontram até hoje produzindo alimentos sem pagar qualquer taxa pelo uso dos insumos. O Dnocs, que é dono e administrador do projeto, recorreu à primeira instância da Justiça Federal, que determinou a reintegração da posse, até hoje não cumprida. Os ministros do STJ, em Brasília, ao qual recorreu o Dnocs para o cumprimento da sentença, fazem cara de paisagem e, até agora, por causas desconhecidas, ainda não decidiram a questão. Algo típico do Judiciário brasileiro.

A nova invasão, que não tem, à primeira vista, motivação política e ideológica como a primeira, põe em alerta as empresas que produzem na Chapada do Apodi, várias das quais usam - e pagam pelo uso - a água fornecida pela Cogerh e a energia elétrica distribuída pela Enel. "Se um pequeno empresário da agricultura ou da pecuária invade uma área pública, ele é imediatamente preso. Mas nada acontece quando o invasor não é empresário", disse à coluna um pecuarista que produz alimentos na Chapada do Apodi. A propósito: a Polícia já identificou os autores dos incêndios que, há três meses, destruíram fardos de algodão na Chapada - cada fardo pesava 17 toneladas. Mas, até agora, nenhum deles foi preso.

Isto é ruim para o Governo do Ceará, que não consegue transmitir para o empresariado a confiança necessária de que ele precisa para investir na agropecuária. O Governo do Estado é uma aliança do PT com o PDT, os quais mantêm laços estreitos com movimentos de esquerda, de viés socialista, isto é, contrários ao modelo de livre mercado, de livre iniciativa, que existe nos regimes democráticos. Além da insegurança pública, há, também, a insegurança jurídica, mas este é um defeito que existe no País todo.

Feriado

Está o País mergulhado em uma crise grave - mas de fácil solução, desde que o Congresso Nacional, isto é, os deputados e senadores, aprove logo o conjunto de medidas necessárias, incluindo as reformas administrativa e tributária. Assim, não tem o menor sentido o feriado de hoje. Só há um lado positivo: o turismo está mostrando sua força, pois os hotéis - em Fortaleza e nas cidades do litoral estadual - estão lotados de turistas cearenses e de outros estados. Viva!

Tilápia

Empresa cearense com destaque na comercialização de peixes, a Bomar Pescados tem feito doações de pele de tilápia para os pesquisadores da Universidade Federal do Ceará, que a usam no desenvolvimento de uma nova e exitosa técnica de tratamento de queimaduras em humanos. A pele de tilápia - peixe mais consumido no Nordeste - é rica em colágeno, evitando a perda de água e protegendo a pele humana contra infecções. A última entrega da Bomar aos pesquisadores da UFC somou 800 peles de tilápia. O cearense também é solidário. Vale lembrar que a pele de tilápia foi utilizada, com orientação dos pesquisadores da UFC, no socorro às vítimas da explosão que destruiu o Porto de Beirute, no Líbano, e nos recentes incêndios em grandes áreas do Pantanal, no Mato Grosso do Sul.

Aço cearense

Quarta-feira, 4, o Instituto Aço Cearense, que cuida do lado social das empresas do grupo liderado pelo empresário José Vilmar Ferreira, iniciará sua campanha de arrecadação de presentes para crianças pobres das regiões onde atua.

Neste ano, serão agraciadas 400 crianças nos estados do Ceará, onde está sua sede, Pará e Tocantins. As doações serão feitas pelos próprios funcionários da Aço Cearense.

Pílulas

Amanhã será eleito, ou reeleito, o presidente dos EUA. O atual presidente Donald Trump, segundo as pesquisas, tem tudo para ser derrotado. Seu adversário, o democrata Joe Biden, se estiverem certas essas pesquisas, deverá ser o vencedor. Problema: se Trump não aceitar o resultado da urna e recorrer à Justiça alegando fraude, o planeta estará diante de uma novidade que terá repercussão no mundo todo.

Amanhã será publicada nova pesquisa do Ibope sobre a eleição municipal de Fortaleza. Será, com certeza, a mais forte tendência sobre o pleito.

Espera o ministério da Infraestrutura que, até o fim deste ano, ou seja, até o dia 31 do próximo dezembro, se realize o arrendamento do Terminal de Granel Sólido do Porto do Mucuripe. Caberá à vencedora o investimento de R$ 56,7 milhões ao longo dos próximos 25 anos.

Vem ai a famosa Black Friday, que neste ano será realizada no dia 27 deste mês de novembro. É o dia em que os preços das coisas caem. Mas é também a data em que os consumidores sofrem com falsas promoções. Exemplo: há lojas que dão descontos de 50% sobre o dobro do preço anterior da mercadoria. É preciso, pois, pesquisar.