Volta às aulas... a escola da vida é clichê   

Nesse meados de janeiro, quase todo mundo tem por perto uma criança que voltou às aulas ou se prepara pra iniciar essa trajetória quase sem fim que é cruzar os portões da escola

Ninguém quer ser criança quando é criança. Aí se sofre porque vai crescer. O tempo passa e estar criança volta a ser bom de novo porque as férias sempre chegam. Não importa o que você faça na vida, se estuda pouco ou muito. Se as aulas são alento ou perdição. Há sempre o tempo em que o recesso chega. Então, a criança/adolescente esquece, por uns dias, a obrigação que tem de aprender, e pode brincar. E brincar é bom, claro. Aprender que é o desafio. 

O fato é que bom mesmo é ir pra escola. Pra aula, nem sempre. Aprender a tabuada, somar é lucro. Dividir é caos. Português, redação. A história da vida. Aprendi que a matemática me atravessou, fez-me geografia nessa intensa travessia. Mas ciência nenhuma explica a dualidade entre riso e pranto que são os nossos anos na escola. Dias de drama, dias de luz.  

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Aprender a tabuada, somar é lucro. Dividir é caos. Português, redação. A história da vida. Aprendi que a matemática me atravessou, fez-me geografia nessa intensa travessia Foto: Fabiane de Paula

 
Nesse meados de janeiro, quase todo mundo tem por perto uma criança que voltou às aulas ou se prepara pra iniciar essa trajetória quase sem fim que é cruzar os portões da escola. É mochila, é lancheira, é caderno e caneta. Aí as recordações vêm. Do lado de cá, o tempo daquele drama, daquele caos viram apenas riso. A gente bem sabe: ir à escola é bom, mas aprender por lá realmente precisa ser a meta. Porque agora a escola da vida é clichê.  

Depois que a gente cresce, é como se essa volta às aulas de janeiro (ou agosto) não tivesse dia e hora pra acontecer. De repente, a gente se vê imerso na rotina que é ser luz diante de outros momentos-luzes, pessoas-luzes, escolha-luzes. Mas é também ter que manter o uns e outros brilhos mesmo em meio ao que há de sombra em nós, ao nosso redor.   

Nas férias da escola, todo mundo está de férias também. A colega de classe, o vizinho, os primos. Nada parece mesmo ser obrigação, até a hora que toca novamente o sinal. E o recreio, por exemplo, é sempre pouco, porque o sinal toca e tudo precisa se ajeitar novamente entre mesas e carteiras. 

Na escola da vida, também há tempo de férias. Aquelas que a gente se dá, aquelas que a vida nos oferta. Gratidão! É preciso aproveitar ainda que ao nosso redor ninguém mais tenha sido coroado com a folga dos alívios. E cada um tem suas férias na escola da vida: a dos boletos, dos dilemas de família, da falta de emprego. A dos medos, pesos e culpas...  

Mas isso a gente percebe quando presta bem atenção nas tréguas da rotina. Descanso, devaneio. Aulas de existência. Agora, nossas férias são nossos refúgios, entre idas e vindas na nossa rotina de ter que aprender, precisar ensinar. Ainda bem que [em tempo] a gente descobre nossos alívios. Que sorte! A escola da vida realmente é um clichê.