Ano Novo? A boa verdade dos nossos “trezentos-e-tantos-dias”

Essa época é aquela em que fazemos balanços sobre as metas, as relações, a vida. Quando é seu balanço de vida em 2019?

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Ilustração: Lincoln Sousa

De novo, já se foram os nossos dias. Ficaram questões. Tantas.  E o que pode melhor definir o nosso balanço de fim de ano? Saber que investimos energia, boas energias, em verdadeiros nós. Dos que permanecem em nós. Dão frutos coletivos. Abrem olhos, ouvidos, corações. Todos somos um. Gente junta. Conexão de pensamentos. Lutas que não se lutam sozinhas.  

A boa verdade dos nossos “trezentos-e-tantos-dias” de existências é: o que nos salva nessa vida é saber que temos uns aos outros nesse mundo. Que a nossa história é coletiva. Nosso silêncio pode ser resposta. Gratidão. É por isso que ser solidário revoluciona. Isso é amor. Abre portas e fecha feridas.

E as paredes falam. O mundo mostra, o coração explica. A alma tenta (se) renovar. A nossa humanidade nem sempre se sobressai, porque não sabemos explicar.

Não sabemos entender o que se passa no coração alheio - às vezes em nós. Nossos códigos são insuficientes quando o assunto é amor ou dor.  

Uns e outros misturam seus signos, seus símbolos. Procuram saídas, verdadeiras brechas para encaixar a alma na rotina de tantos (de nós) que não param, não entendem, não sentem. Muitas vezes, não respeitamos a alma, a mente, o coração de quem está ao nosso lado, ao nosso redor.  

E é preciso ficar atenta/o mesmo. A informação está em toda parte. [No silêncio?]. A comunicação também precisa estar. Porque... as paredes falam e, quando a gente não entende, o coração pode tentar explicar. E o melhor disso é que nossos gritos jamais serão apenas de dor, mas de lutas. Daquelas que não se lutam sozinha.  

Nossa voz, a marca cravada nos corações de quem amamos. Lágrimas em cantos abertos. “Nosso reino [também] não é deste mundo”. Nossa vida é de quem anda ao nosso lado. Temos tantos: lados, mundos, histórias, pessoas. Corações abertos, imensos. Esperando as batidas de amor que nos unem. Nos tornam apenas um.  

Um aperto de mãos, beijos. Abraços apertados. Estendidos entre idas e vindas, daquelas que voltam. Voltam pra gente ainda que seja em prece, em lembrança. Em saudade gigante.

Em canção de apelos. Não precisa voltar, porque nunca se foi. Se fica porque aqui se pertence. Permanece.  

Estamos aqui porque a nossa história nunca foi de um só ser. Sempre foi para sermos. Somos, estamos. Queremos. Verbos, carne. Pedra. Ferida aberta. Cura que se procura em nós. Delírio de certezas. Um bocado de amor guardado. Acreditar é renascer, enquanto bem-viver é ter esses sonhos de para sempre se sonhar em bando.