Sem resultados perceptíveis na economia no ano passado, 2020 vem para atender expectativas de 2019

Pouco ou nenhum avanço em temas importantes como emprego e renda marcam os últimos 12 meses, e projetos lançados no fim do ano projetam melhorias só para os próximos meses 

Expectativas 2020

A economia brasileira expressa confiança para 2020, e a prova disso foi a última pesquisa Focus, que trouxe projeções bastante motivadoras para os indicadores finais de 2019 e do próximo ano, tentando renovar o fôlego otimista em empresários e consumidores. Comportamento sintomático para o reinício de um ciclo, mas fundamentado em algumas ações de impacto significativo na economia, mas que ainda não surtiram efeito. Assim, 2019 deixa para 2020 a expectativa de que tudo vai dar certo. 

A grande aposta do Governo Federal para fazer a atividade econômica reagir estava na reforma da Previdência.

O projeto demorou praticamente o ano todo até virar realidade, entre expectativas sobre o texto e a aprovação pelos deputados, além da esperança de muitos em mudanças no documento. Deixando de fora os militares e sem tratar da capitalização, a reforma foi apadrinhada como tema político e promulgada quase no fim do ano, sem tornar realidade tudo aquilo que se esperava dela. 

Emprego e renda 

Assim, a taxa de desemprego no País manteve-se inalterada, ostentando dois dígitos. O plano para reverter este cenário foi lançado em duas etapas, uma no meio e outra já quase no fim do ano. A inspiração foi a frase clássica do presidente: "o brasileiro vai ter de escolher entre todos os direitos e desemprego ou parte deles e emprego". Assim materializaram-se a MP da Liberdade Econômica e o programa Verde Amarelo. 

Quando o assunto é salário também não houve mudança e as perspectivas não são tão positivas. Afinal, o mesmo programa que quer aumentar as contratações, mira em salários baixos.

R$ 1.039
Ainda ontem, no finzinho de 2019, o salário mínimo foi reajustado por medida provisória e atendeu ao esperado pelo mercado, sem superar a inflação esperada para o período (4,1%). Saiu de R$ 998 para R$ 1.039. 

Consumo e crédito 

Nas casas, carne e combustíveis aterrorizaram os orçamentos familiares neste ano, atingiram altas históricas, foram motivo de piada e declarações polêmicas pelos governantes, mas não conseguiram reverter a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que se manteve abaixo do centro da meta (4,23%).  

Mesmo assim, o avanço no consumo só cresceu no fim do ano, na Black Friday e no Natal, após os seguidos desembolsos do FGTS - estratégia replicada do governo Temer -, e ainda foi motivo de confronto entre empresários sobre a veracidade dos números. 

Reflexo do primeiro, o crédito também não avançou em 2019 e deixa para 2020 o desejo de poder ter, com uma Selic no patamar mais baixo da história, acesso amplo pelo consumidor final. Nem dinheiro, nem menor cobrança: os juros do rotativo do cartão de crédito e a taxa do cheque especial seguiram ascendentes, mesmo com a Caixa Econômica assumindo o papel de banco modelo do Governo Federal, e empacaram os orçamentos familiares. 

Os bancos também não sofreram alterações no modus operandi, vide que passaram incólumes às ameaças do ministro Paulo Guedes (Economia), mantiveram seus ganhos astronômicos em plena crise, e surgem como mais um setor da economia a ser melhorado em 2020.

Fica, neste cenário, a vontade de um 2020 com filas menores nos feirões de renegociação de dívidas.

Desigualdade regional 

Sobrou tempo ainda para o ministro vir ao Ceará e deixar evidente que não há planos para diminuir as desigualdades entre as regiões brasileiras, e o Nordeste pode passar mais alguns anos amargando uma infraestrutura aquém do potencial da Região, se depender dos projetos pensados pelo Governo Federal. 

Internamente, a tarefa de casa continuou bem feita e o Ceará se mantém entre os poucos estados que continuam pagando salários em dia e captando investimentos. No entanto, os projetos que poderiam representar avanços mais táteis foram lançados no fim do ano, como o atlas eólico e solar – apresentado em dezembro, após a realização dos leilões de energias renováveis. Da mesma forma aconteceu o plano de aviação regional. Os dois projetos deixam para 2020 as expectativas positivas de gerar mais energia solar e eólica e ter mais voos entre cidades cearenses. 

Não pode passar batida a reforma da previdência. O projeto pegou deputados – da situação e da oposição - e servidores de surpresa. Apesar dos protestos e do pouco tempo de debate, o projeto foi aprovado sob a justificativa de garantir o acesso do Ceará aos recursos de financiamentos e repasses prometidos pelo Governo Federal. E que assim aconteça em 2020... 

Neste meio tempo, enquanto presidente, ministros de Estado, deputados, senadores e ministros do STF tentavam atrair holofotes debatendo o que poderia ou não ser mantido no processo de aposentadoria e nas regras trabalhistas, o brasileiro comum criava expectativa sobre emprego, renda, consumo, crédito e todo elemento econômico que compõe a vida dele.

O resultado, no entanto, ainda não fechou, e 2020 surge, já de cara, para atender a expectativa de que, em 2019, “tudo deu certo”.