Dentro do Jogo: as táticas de Guto Ferreira e Rogério Ceni nas goleadas de Ceará e Fortaleza

O quadro Dentro do Jogo será publicado todas as terças-feiras, com foco em análises táticas

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Legenda: Guto Ferreira e Rogério Ceni se enfrentarão pela terceira vez em um Clássico-Rei
Foto: Divulgação/Thiago Gadelha

Como já informado anteriormente, começou na última segunda-feira (13) uma nova programação de conteúdo aqui na Coluna. Todos os dias, de segunda à segunda, pontualmente às 9 horas da manhã, haverá um post com um tipo de conteúdo diferente. Serão alguns "quadros" novos.

O segundo deles é o Dentro do Jogo, que como o próprio nome diz, trará conteúdo 100% voltado ao jogo, às quatro linhas. Os posts de todas as manhãs de terças-feiras serão de análises táticas, com imagens, estatísticas, números, etc. Um conteúdo totalmente voltado à análise de desempenho do jogo, seja de um time, de um atleta, de um comportamento ou um lance em específico.

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Na estreia deste quadro, trazemos alguns detalhes táticos de Guto Ferreira e Rogério Ceni nas reestreias de Ceará e Fortaleza.

BARBALHA 0 X 5 CEARÁ
Foi com tranquilidade e em clima de jogo-treino que o Ceará goleou o Barbalha por 5 a 0. O jogo não serve como parâmetro ao Alvinegro. Pela fragilidade, o adversário não impôs dificuldade e o placar poderia ter sido bem mais elástico. Mas só poderia porque o Ceará fez o que dele se esperava. Na estreia do técnico Guto Ferreira, foi impositivo e mostrou pontos positivos.

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Legenda: O Ceará iniciou o jogo com a seguinte formação. A movimentação e as constantes trocas entre Lima e Felipe Silva chamaram atenção

Mantendo basicamente a mesma estrutura que o técnico Enderson Moreira já utilizava, Guto Ferreira escalou o time no 4-2-3-1, que contou bastante com o apoio dos laterais. Samuel Xavier e Bruno Pacheco atacaram bastante. Quando estavam no setor ofensivo, faziam os meias jogar mais por dentro. Felipe e Lima tiveram muita liberdade.

Outro fator que chamou atenção foi a marcação em bloco alto. O Ceará pressionou a saída de bola do Barbalha no campo ofensivo o tempo praticamente todo e não deixou o time adversário sair jogando. Repito: aqui, se deve considerar a fragilidade do oponente, mas esse estilo de marcação e de busca pela recuperação da bola no campo adversário é uma característica das equipes de Guto Ferreira.

Coletivamente, o Vovô mostrou bom entrosamento e alguns outros conceitos interessantes. Ultrapassagens pelos lados do campo, jogadas de infiltração pelo meio, mobilidade ofensiva com movimentação e trocas de posições.

Esse é o lado do "copo meio cheio" de ter ficado tanto tempo sem jogos. Com 43 dias de treinamentos sob comando do novo técnico, já foi possível ter uma assimilação melhor das ideias. Se Guto tivesse chegado e já encarado uma sequência de partidas, sem tempo para treinos, seria mais difícil colocar em prática o modelo pensado.

A nível individual, não dá pra apontar ninguém que foi abaixo. Mas há alguns destaques que se sobressaíram, como o trio Lima (dois gols e uma assistência), Vinícius (um gol e uma assistência) e Felipe Silva (uma assistência). Formando a linha de três no esquema 4-2-3-1, foram eles os responsáveis pela criação de praticamente todas as chances de gol. Samuel Xavier e Bruno Pacheco também apoiaram bem, sobretudo o lateral-direito, que deu passe para o 2º gol de Lima, o 4º do time.

GUARANY DE SOBRAL 0 X 5 FORTALEZA
O panorama do Fortaleza não foi diferente. Não se precisou de muito esforço para vencer o Guarany de Sobral por 5 a 0, no Castelão. Prova disso é que Rogério Ceni poupou o time titular inteiro, escalando de início uma equipe totalmente alternativa, e com novidades.

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Legenda: Fortaleza começou o jogo com a base do esquema que já usa. Mas Mariano Vázquez teve muita liberdade e atuou como típico meia

Já visando o Clássico-Rei desta quarta-feira (15) que o técnico Rogério Ceni poupou todos os titulares de início. A escalação anunciada antes da bola rolar apontava várias surpresas, incluindo Max Walef no gol, o retorno do zagueiro Roger Carvalho após quase um ano afastado dos gramados, o volante Luiz Henrique improvisado na lateral-esquerda, Derley de titular no meio de campo e a estreia de Tiago Orobó no ataque.

Além disso, teve Ederson em uma nova função, atuando mais recuado, no meio de campo, por uma necessidade, algo que o próprio Rogério Ceni relatou ao fim da partida.

A base do esquema tático era a mesma, mas houve um destaque. Mariano Vázquez atuou com muita liberdade, mais recuado, como um camisa 10 mesmo. Descia para armar, buscava jogo, e foi com essa movimentação que deu ótima assistência para Derley marcar o 2x0.

Entretanto, no geral, o time teve mais dificuldades no primeiro tempo. Algo normal pela falta de ritmo de jogo e até mesmo de entrosamento nessa nova formação que jamais havia atuado junta. Na segunda etapa, com as entradas de jogadores titulares, o placar foi dilatado com facilidade.

Yuri César, Romarinho, Juninho e Wellington Paulista saíram do banco para transformar o placar vitorioso em goleada. Os três primeiros marcaram belos gols em chutes de fora da área, com destaque especial para cobrança de falta perfeita de Juninho e o terceiro gol de Yuri César em três jogos pelo clube.

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Legenda: Com as mudanças, o Fortaleza terminou o jogo com a seguinte formação. Mais ofensividade e melhor encaixe coletivo

O que pode se ver é um Fortaleza forte coletivamente, com uma identidade bem definida e que vai encaixando os novos jogadores aos poucos.

Com duas boas estreias, mas que não servem como parâmetro, a expectativa pelo Clássico-Rei aumenta e a promessa é de grande jogo.