Análise: Ceará sente falhas defensivas e não tem força para reagir contra o Santos

O Vovô foi derrotado por 3 a 1, neste sábado (5), pela Série A do Brasileiro

Momento da finalização de Marinho contra o Ceará
Legenda: Quando o jogo estava empatado, uma falha defensiva permitiu gol de Marinho
Foto: Ivan Storti / Santos

O Ceará perdeu para o Santos na Vila Belmiro neste sábado (5). Na história, o time cearense nunca venceu no estádio, de fato, mas dessa vez as falhas individuais foram determinantes para o resultado de 3 a 1 pela Série A. Mas há outros pontos: o Vovô não funcionou no coletivo.

Na narrativa, muitos aspectos carecem de detalhamento, inclusive na escalação - mais uma vez prejudicada pelos atletas no departamento médico. Faz tempo que o plantel dito 100% na atual temporada não entra em campo sob comando de Guto Ferreira, sempre há um desfalque.

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A tentativa de se manter competitivo através da força do elenco é necessária pelo investimento. A melhor versão alvinegra surgiu no Brasileirão de 2020, com transição rápida e efetividade. No entanto, o processo contra o Peixe esteve longe de um time que tinha o caminho para vencer.

Números de Santos x Ceará na Vila Belmiro

  • Posse de bola: 56% x 44%
  • Finalizações: 15 x 6
  • Passes: 548 x 419
  • Escanteio: 4 x 1
  • Desarme: 11 x 15

Falhas defensivas

O Ceará de Guto Ferreira tem como pilar o sistema defensivo. A organização defensiva permite a transição rápida para ser agressivo ou adiantar as linhas para empurrar o adversário. O termômetro é o setor, que precisa de uma atuação firme para controlar o jogo na imposição tática.

O duelo com o Santos foi um dos piores no recorte recente, e o grupo sentiu a insegurança. Assim, precisou atacar e não conseguiu. E a 1ª falha nem teve gol: quando Messias errou cabeçada e cometeu pênalti, desperdiçado por Marinho, pareceu um prelúdio das demais ações.

Atletas de Ceará e Santos disputam bola
Legenda: O Ceará teve uma atuação de muita entrega na marcação e pouco êxito no ataque
Foto: Ivan Storti / Santos

No momento em que o duelo estava 1 a 1, com marcação alta do Vovô, o mesmo defensor errou corte na grande área e deixou a bola nos pés do atacante santista, que dessa vez aproveitou. Foi o suficiente.

O aspecto mental alvinegro, de recuperação e crescimento na adversidade, não tem funcionado com o novo elenco. E no atordoamento, Kaio Jorge aproveitou escanteio para cabecear livre em jogada trabalhada pelo Ceará na semana: a bola desviou em Messias e entrou.

Apatia alvinegra

O Ceará esteve longe de levar perigo ao Santos - salvo uma finalização de Jorginho. O marasmo ofensivo era de uma equipe que se defendia, mas não sabia como atacar mesmo bem organizado. 

Marcação do Ceará contra o Santos
Legenda: As peças de ataque tiveram mais participação defensiva contra o Santos
Foto: Ivan Storti / Santos

Com Vina e Jorginho juntos, um experimento muito válido, o time não teve a profundidade necessária para avançar as linhas e não conseguiu ser agressivo. Na frente, Vizeu teve muita dificuldade no 1x1 contra os marcadores, enquanto Saulo fez um atuação discreta sem espaço para investidas em velocidade.

O gol alvinegro foi lucro no 1º tempo, com pênalti marcado por Vina no último minuto. No momento que poderia equilibrar as ações, falhou defensivamente e não teve força para reagir. Hoje, pareceu carecer de mudanças estruturais para oferecer alternativas na busca da vitória.

Ficha técnica

Santos 3x1 Ceará

Competição: Campeonato Cearense - 6ª rodada
Data: 05/06/2021
Horário: 21h
Local: Vila Belmiro, em Santos/SP
Gols: Jean Mota aos 18´/1º T (1-0), Vina aos 51´/1º T (1-1), Marinho aos 18´/2º T (2-1) e Kaio Jorge aos 26´/2º T (3-1)
Cartões amarelos: Pará (S), Luan Peres (S), Alison (S), Fernando Diniz (S) e Lacerda (C)

Santos: John; Pará, Luiz Felipe, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Jean Mota (Boza) e Pirani (Ângelo); Marinho (Madson), Kaio Jorge (Marcos Leonardo) e Marcos Guilherme (Kevin). Técnico: Fernando Diniz.

Ceará: Richard; Buiú, Messias, Lacerda (Jordan) e Pacheco; Oliveira, Sobral (Charles), Vina (Rick) e Jorginho; Saulo (Wendson) e Vizeu (Cléber). Técnico: Guto Ferreira.