O valor de um '9': Ceará tem reagido nas partidas com a entrada de Bergson

Atacante atuou, seja no início da partida ou como opção do banco de reservas, nas duas vitórias do Vovô sob comando de Adilson Batista. Contra o Vasco, saiu dos pés dele o gol que garantiu o empate no 2º tempo

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Bergson desencantou com a camisa alvinegra após chegada de Adilson Foto: Kid Júnior

O Ceará tem vivido situação peculiar com o técnico Adilson Batista: sofre no 1º tempo para correr atrás do placar no 2º. Se com Enderson Moreira a produção era intensa e pouco efetiva desde o início, sob o novo comando, o Vovô precisa se superar nos 45 minutos finais. Consistência tática que passa pelo uso de um centroavante.

É certo que as opções não têm agradado o torcedor alvinegro, mesmo que nunca tenha faltado empenho de cada um que passou pela função. Escolhido pela diretoria, Felippe Cardoso, de 21 anos, ficou estigmatizado com a sequência de 10 jogos sem vitória e deixou o posto com dois gols em 15 partidas.

Os números não estão distantes de Bergson, que estava no Athletico/PR e chegou ainda na estreia da competição. São 16 exibições para duas bolas na rede. O dilema, então, se firma no fato de os índices serem baixos, mas com o time apresentando dificuldades sem uma referência.

O Vovô fez cinco gols nos últimos seis jogos, sendo quatro quando havia um atacante em campo - por duas vezes, Bergson entrou e balançou as redes, tendo influência direta em quatro pontos somados. Coincidência ou não, a grande área é a faixa de campo preferida para marcar: 92,8% dos tentos alvinegros na Série A do Brasileiro vieram daquele setor. Analisando estas seis últimas partidas que a equipe fez, em cinco foi forçada a realizar substituições para mudar a disposição tática: sempre acrescentando um centroavante. Isso porque não vem ocorrendo escalação de atleta com as características de pivô desde o início do jogo.

Necessidade

O mapa de calor também soa como indicador da necessidade de um atacante. Como falso 9 e tendo desempenho abaixo, Thiago Galhardo foi a peça que mais esteve na área contra Goiás e Avaí. Já diante de Grêmio e Vasco, Fabinho foi quem mais apareceu, enquanto Lima marcou presença ao enfrentar o Bahia, e Pedro Ken no duelo com o Santos. Em tempo: nenhum atacante.

Sofrendo muito com as consecutivas lesões, o Ceará tem um plantel com qualidade para dominar a bola - Lima, Ricardinho, Fabinho, Felipe Silva e Galhardo, por exemplo. A função do 9 vai além do gol. Serve para atrapalhar a saída de bola, ser um desafogo para a própria defesa e dominar o espaço mais próximo possível do goleiro rival.

Conceito que esbarra com o comandante alvinegro, que admitiu inspirações em equipes mais robustas do futebol. "O melhor time do Brasil (Flamengo) tem dois e às vezes não estão dentro da área. A Seleção de 70 não tinha o 9, o Barcelona do Guardiola, o Messi não fazia isso. O Bergson está sempre entrando. Eu tenho tempo hábil para pensar e vamos tentar vencer o jogo com o Fluminense", analisou. A escalação de Adilson ainda se mostra uma incógnita pelo forte rodízio dos jogadores. O certo é que o jogo contra o Fluminense, quarta-feira (30), às 21h30, na Arena Castelão, pode ser decisivo para a manutenção alvinegra na elite nacional.

Caso siga a proposta de "manter o que está dando certo", como mencionado após o empate com o Vasco, o próximo jogo é a oportunidade de iniciar com um camisa 9 e ver os resultados em campo.