Fortaleza vence Avaí sem esforço e se consolida longe do Z-4

Tricolor do Pici aplicou 3 a 1 nos catarinenses, ontem, no Estádio da Ressacada, com Paulão, Romarinho e Wellington Paulista. Utilizando plantel alternativo, Ceni deu confiança ao elenco e ainda atingiu a zona da Sul-Americana

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Na casa antiga, uma nova glória. Revisitando o palco em que entrou para a história com o título da Série B do Brasileiro, o Fortaleza venceu o Avaí, por 3 a 1, ontem, em duelo válido pela 29ª rodada, desta vez, da elite nacional. Em que pese o confronto na parte de baixo da tabela, o resultado faz o Leão saltar provisoriamente para a 12ª posição, com 35, e respirar longe da zona de rebaixamento - a distância sobre o Z-4 subiu para seis pontos.

O cenário é importante para exemplificar como o triunfo se construiu: com marasmo, pouco desgaste e uma pintura do zagueiro Paulão, que acertou bicicleta no 1º tempo para inaugurar o marcador da Ressacada. E assim o Tricolor do Pici encarou o duelo, com a seriedade necessária para vencer, mas agindo de forma despretensiosa em campo.

O técnico Rogério Ceni, mais uma vez, optou por uma formação alternativa sem mexer no esquema 4-2-4. Colocando o rodízio em prática, poupou o elenco e se deu ao luxo até de segurar a posse com o goleiro Felipe Alves, que sequer foi pressionado.

O fato é que a estratégia logrou êxito, apesar da falta de concentração, e os ganhos são mais futuros do que imediatos. Superior tecnicamente, o Fortaleza acelerou quando precisou e soube controlar o confronto do início ao fim, mesmo que as chances tenham sido iguais com as do adversário: domínio de bola (50%) e finalizações (11).

A estratégia foi diferente apenas no quesito compactação, com o Fortaleza apresentando linhas distantes e até uma certa insistência em ganhar terreno sem transição, o que resultou em um excesso de lançamentos (66) executados de forma equivocada (52% de aproveitamento).

O desempenho irregular, inclusive, ofuscou a exibição da dupla de volantes Araruna e Nenê Bonilha, que ganhou minutos e confiança com a oportunidade entre os titulares. Juntos, totalizaram 88 passes e auxiliaram na armação.

Reação e superioridade

A baixa intensidade do jogo, sim, penalizou a evolução tricolor fora de casa. Sem produzir volume, o time leonino voltou do intervalo desligado e assim foi vazado com Vinicius Araújo, que aproveitou uma linha de impedimento errada.

O empate foi justamente em um dos momentos que o Fortaleza cedeu campo quando abdicou de atacar, ou contra-golpear. Erro de postura, no entanto, sem a verdadeira dimensão do prejuízo devido a falta de lucidez do lanterna da competição, dono do pior ataque do Brasileirão (15).

O fator positivo, já externado pelo capitão Wellington Paulista, é que o Leão precisa sofrer para acordar. E o enredo seguiu à risca a reação, com o atacante Romarinho deixando o time à frente no placar dois minutos depois, logo aos sete do 2º tempo.

O ímpeto reacendeu, e o embate se reverteu na administração do tempo, com direito as boas entradas de Matheus Alessandro e Kieza, peças comuns na segunda passagem de Ceni. O tento de Wellington Paulista, aos 43, de pênalti, foi apenas um retrato da força empregada na medida certa. O Leão deixa Santa Catarina com elenco fortalecido, pontuação consistente e se mostrando um concorrente pela vaga na Sul-Americana. Em tempo, venceu todos do Z-4 que enfrentou.