Felipe Alves é incontestável, mas a sombra de Boeck está cada vez maior no Fortaleza

Boeck
Reserva imediato da posição, Boeck foi o capitão do Fortaleza nas Séries C e B JL Rosa / SVM

Todo bom clube começa com um goleiro, é fato. A posição tão passível de críticas existe para dificultar o objetivo máximo do futebol: marcar o gol. Nesse quesito o Fortaleza está bem servido, mas o titular Felipe Alves tem criado espaço para a sombra de Marcelo Boeck crescer.

A arbitragem, sim, atrapalhou as duas últimas rodadas do Leão na Série A do Brasileiro, só que o empate com o Atlético/MG e o revés para o Corinthians contaram com a colaboração direta do arqueiro. Por duas vezes, gols por cobertura influenciaram o placar.

Diante do Galo o erro é iniciado na saída de bola equivocada que acabou nos pés de Patric, autor do tento mineiro. Depois, de muito longe, uma finalização completamente defensável venceu Felipe Alves.

Assim foi no confronto com o Corinthians. O tento de Boselli de cabeça, da entrada da grande área, alcançou o ângulo, mas entrou de forma lenta na meta tricolor, que viu o goleiro pular distante e sequer chegar perto.

Felipe Alves
Felipe Alves tem contrato com o Fortaleza até o fim da Série A do Brasileiro Daniel Augusto Jr./ Agência Corinthians

Em tempo, uma análise jamais deve culpar, ainda mais quando o alvo em questão tanto ofereceu ao Leão. A defesa é o setor mais fragilizado do Fortaleza e isso não passa apenas por uma peça, tem reflexo imediato na pouca posse de bola, ausência de volantes de contenção, baixa compactação… São, pasmem, 44 gols sofridos em 31 jogos.

A média é de 1,4 por jogo, 4ª pior do Brasileirão, para quem ainda sonha com a permanência na elite e quiçá vaga na Sul-Americana. Mesmo assim vale o ensejo quando a confiança está fragilizada, principalmente em uma posição tão frágil.

A estratégia de Rogério Ceni de armar a partida desde o goleiro se tornou alvo dos adversários e tem atrapalhado Felipe Alves, que atua muito adiantado - o que o fez levar o gol contra do volante Juninho no 1º turno. 

Os números, no entanto, o deixam em vantagem na corrida pela posição:

  • Jogos: 25.
  • Defesas difíceis: três por partida.
  • Passes: 79%.
  • Bolas longas: 53%.
  • Eficiência (gols sofridos/defesas/acerto dos passes): 4º melhor goleiro do Brasileirão.

Só que falhar na reta final - com a colaboração também da queda de rendimento dos zagueiros - tem peso acentuado na discussão. É momento de reflexão. Boeck é ídolo, experiente e um grande goleiro, credenciais que o impedem de descartá-lo, ainda mais no afunilamento da elite nacional. Capitão nas campanhas da Série C e B, pode ajudar na organização da equipe e também nas cobranças com a arbitragem.

No fim, esse texto serve como uma lembrança. Felipe Alves é incontestável com a bola nos pés, só precisa se provar mais nos atributos básicos da sua função inicial, como já fez ao longo de todo o Brasileirão.