Ceará: saída de Adilson Batista precisava vir há mais tempo

Adilson Batista
Foto: Thiago Gadelha / SVM

Como transformar a apoteose em lástima? Adílson Batista tem a receita e por isso foi demitido do Ceará. E digo mais: o futebol não é feito para covardia. A essas atitudes, o escárnio e a mediocridade. As expressões consistem com o apresentado pelo Vovô no Maracanã, nesta quarta (27), contra o Flamengo. O saldo foi 4 a 1, todos na conta do comandante, por sinal, a gota d'água do trabalho.

Se o rival era o melhor time da América do Sul, atual campeão continental e nacional, e detentor de um plantel milionário. Tudo entra no saldo. Mas o maior prejuízo do Vovô estava à beira do gramado.

Indicado por Rodrigo Caetano, diretor do Internacional, chegou como um nome totalmente fora do radar. E mesmo com histórico desastroso de times que foram rebaixados após a sua gestão, conseguiu se sustentar sem apoio das arquibancadas.

Galhardo
Artilheiro da equipe, Thiago Galhardo caiu de rendimento com Adilson Batista

O desejo de mudança no início, resgatando peças e rodando um elenco bem fechado por Enderson Moreira serviu como uma maquiagem ao apresentado. Separando o jogo sempre em dois períodos, os repetidos elogios a um dos tempos serviam como alento de algo poderia melhorar; o que não se concretizou ao longo dos 13 jogos que esteve à frente da equipe.

O estopim veio com os quatros jogos sem vencer, justamente na reta final, o que conduz o plantel ao fosso. A análise é dura porque não faz parte da história alvinegra se entregar, ainda menos abdicar de atacar ou resistir como estava sendo proposto.

O panorama foi justamente a estratégia adotada contra o Flamengo. Mesmo ganhando por 1 a 0, a escolha foi de tirar o único atleta adiantado no esquema para trazer um zagueiro. Mudasse o 4-2-3-1 para um 5-5-0 em um erro capital na assinatura da sentença.

As defesas para o comandante se esvaíram. O desempenho foi de 35,9% com quatro vitórias, dois empates e sete derrotas. 

O risco de rebaixamento é inerente. A Série B se desenha a passos largos, assim como a crise que cai sobre Porangabuçu. O impacto da goleada é mental, amoral e imediato. Restam três partidas. 9 pontos. Ou seja, o Ceará pode chegar até 46. 

A pífia campanha exige mudanças no alicerce de um time que tem as bases fincadas no povo e precisa ser respeitado. A torcida não merece ver esse Ceará.