Ceará poderia ter conseguido mais contra um Vasco acuado

Time de Porangabuçu é superior e pressiona os visitantes na Arena Castelão, no entanto empate ocorre no fim do jogo, sem que houvesse tempo e fôlego para um melhor resultado. Na tabela, time segue fora da zona de rebaixamento

Ceará X Vasco 2
Torcida alvinegra compareceu ao Castelão em bom número, apoiou a reação do time, mas saiu com o desejo de vitória sem ter sido realizado Bergson entrou no 2º tempo e ocupou posição vazia no 1º tempo. Foi premiado com gol do empate Fotos: Kid Júnior

Um retrato da frustração na Arena Castelão. O placar de Ceará e Vasco foi 1 a 1, ontem, mas ao término do jogo a sensação era que o Alvinegro de Porangabuçu tinha totais condições de vencer a partida, válida pela 28ª rodada da Série A do Brasileiro.

O resultado não é pior possível, apesar da proximidade da zona de rebaixamento. A equipe chegou aos 30 pontos e permanece fora do Z-4. A lamentação é pelo contexto do confronto, a necessidade de sair do quase e engrenar uma sequência de vitórias ou mesmo triunfar junto de uma torcida que tem feito a parte dela nas arquibancadas.

A lamentação vem por conta do esforço. O time de Luxemburgo jogou apenas 45 minutos, o suficiente para Rossi abrir o placar explorando um erro comum no Vovô: os espaços nas costas dos laterais, desta vez, de João Lucas.

Para não ser injusto com o produzido, uma nova falha de marcação ainda exigiu que Diogo Silva impedisse o desempate nos minutos finais, em jogada do volante Raul. De resto, o Ceará martelou na bola aérea (13 escanteios), teve volume (63% de posse) e até finalizou (17), nada suficiente.

Os persistentes testes táticos de Adilson Batista têm reflexo direto no sabor amargo do placar. Em casa, o técnico costuma usar o 1º tempo como laboratório e vai se deixando envolvido pelo adversário. As experimentações diante do Cruz-Maltino mostravam um volante Fabinho atuando como ponta, um lado esquerdo abandonado em detrimento do direito, assim como Thiago Galhardo perdido na função de falso 9, enquanto a equipe seguia sem centroavantes. Com uma formação compacta, 4-6-0, o Ceará se postava longe da meta vascaína, inclusive, sem emendar contra-ataques nos poucos momentos que buscou acelerar as ações.

Foi assim que demorou para se organizar em campo. Sem profundidade nos extremos, havia um amontoado de peças centrado na frente da grande área carioca, ocupação de espaço pouco aproveitado com a ausência de infiltrações e a insistência em tabelas complexas, já que a movimentação dos meias não criava um elemento de referência.

Correção tática

Adilson tem o costume de elogiar o desempenho alvinegro no 2º tempo, no entanto, é justamente quando mexe para alcançar a consistência necessária nas partidas. Contra o Vasco não foi diferente, com os atacantes Leandro Carvalho e Bergson entrando no intervalo e deixando a equipe no 4-3-3, sendo Felipe Silva o responsável pelo lado esquerdo do ataque - talvez a peça mais lúdica de toda a partida.

O Ceará foi agressivo e neutralizou as saídas do Vasco, que dava sinais de estar no limite, encerrando o duelo com dois jogadores apresentando baixo vigor físico. Mas a pressão ainda era insuficiente tendo em vista o desperdício dos lances individuais, ou melhor, a falta de coletividade apresentada. A evidência é o número de desarmes sofridos por Galhardo e Leandro Carvalho, que totalizam 34 bolas perdidas para a marcação.

VAR e raça

O lado positivo da partida foi o papel decisivo do centroavante. Ao longo do jogo, em dois momentos, bolas atravessadas à área e não lograram êxito pela falta de um atleta que ocupasse aquele espaço.

Função justamente delegada para Bergson, que aproveitou um bate-rebate e empatou, na única chance que teve na etapa final. O gol veio aos 35 e foi validado apenas três minutos depois, com checagem do árbitro de vídeo (VAR) em uma prova de que a tecnologia também pode ser útil, se utilizada da forma certa.

No fim, o abafa se transformou em nervosismo e excesso de erros na parte final do campo. O sinal de que mudar o DNA e assumir uma postura ofensiva para ser vivo no Brasileirão está nas rodadas finais, assim como no confronto contra o Vasco. As escolhas partem da beira do gramado, é verdade, mas o fato de ter o zagueiro Luiz Otávio como referência não é indicado da necessidade de ser reativa.

Quando pressionou o Vovô, sim, agrediu adversários como Goiás, Santos e Bahia. A máxima é antiga, mas resume a situação: o que define a sobrevivência na elite são as vitórias. Que a postura se mantenha diante do Fluminense, próxima quarta-feira (30), quando a Arena Castelão será novamente o reduto do jogo.