Testamos: Nokia 5.3 não faz feio e o preço é justo, mas câmera poderia ser melhor

Smartphone não pode ser comparado aos antepassados dos anos século passado, mas deve agradar como aparelho intermediário

Nokia 5.3 tem bom custo x benefício, mas poderia ter melhoria na câmera. Bateria é um destaque positivo
Legenda: Nokia 5.3 tem bom custo x benefício, mas poderia ter melhoria na câmera. Bateria é um destaque positivo
Foto: HMD Global/Divulgação

Nokia é uma marca icônica no imaginário do usuário de smartphones. Quem não lembra do quase indestrutível 3310 e seu "Jogo da Cobrinha". Os primeiros viciados em gamer mobile iniciaram ali sua saga - agradável ou não. Pois bem, o tempo passou, eles evoluíram os aparelhos e depois sumiram. Agora sob o comando da finlandesa HMD Global estão de volta. O sistema operacional agora é Android, mas no imaginário de todos é Nokia e o que se espera é um aparelho robusto, com ótimo desempenho e, graças a fama de outro clássico dos anos 2000, o N95, um ótimo conjunto de câmeras. É o que temos? Veremos.

Nokia 5.3 é um intermediário então não espere uma câmera de cair o queixo
Legenda: Nokia 5.3 é um intermediário então não espere uma câmera de cair o queixo
Foto: Nokia/Divulgação

Vamos falar do smartphone Nokia 5.3 que foi o celular testado. É um aparelho bonito, com uma tela frontal de 6,55 polegadas, HD+ de 60 Hz e IPS LCD. Podia ser Full HD? Certamente, mas aí sairia do escopo de aparelho intermediário mais básico para algo mais premium. Creio que não era esse o interesse da HMD. E aqui começam as diferenças do nosso imaginário dos anos 2000, onde a Nokia trazia ou tentava trazer aparelhos para ocuparem a prateleira superior na disputa entre as marcas daquela época. Agora me parece que buscam voltar ao mercado e agradar com preço e produto, mas sem se preocupar tanto em voltar ao topo. Impressões minhas, claro.

Voltando a construção do smartphone, na tela temos um pequeno entalhe em forma de gota onde entra a câmera frontal. Achei muito interessante, pois o recorte não agride aos olhos e dá uma serventia ao tal do notch. Ele tem bordas mais avantajadas do que costumam ter aparelhos da atualidade e talvez a culpa seja de quem decidiu já mostrar a marca Nokia na frente do celular. Podia ter ido atrás e deixado ele mais fino nas bordas, não?

Construído em plástico, o Nokia 5.3 parece que vai despencar de tão grande, mas a construção dele possibilita uma pegada firme, o que nos deixa tranquilos ao usar. Na traseira nada dos formatos quadrados que deixam o aparelho bem alto e descompensado quando na mesa (especialmente sem case). As câmeras e flash de LED estão em conjunto circular. Abaixo vem o sensor de destrava com leitor de digitais. Eu gosto mais exatamente na traseira, me parece algo muito mais intuitivo. 

Câmera

Sistema de câmeras do Nokia 5.3 deixa a desejar em alguns momentos
Legenda: Sistema de câmeras do Nokia 5.3 deixa a desejar em alguns momentos
Foto: Nokia/Divulgação

Hoje, quando pensamos em um celular, uma das primeiras coisas que vamos analisar mesmo para a compra é a câmera. O que estas lentes têm para nos oferecer? No tocante a câmeras principais, há um conjunto com 4 lentes na parte traseira. Como dissemos anteriormente, estão dispostas em um círculo conjuntamente ao flash de LED. A principal delas tem 13MP f1.8, temos uma ultra grande-angular de 5MP e uma macro com 2MP. E o quarteto é completo com um sensor de profundidade para o modo retrato. 

E como elas desempenham? Bem, para um aparelho intermediário posso dizer que gostei do resultado. Tudo bem que o software da câmera não é lá algo muito intuitivo (não foi a única coisa não intuitiva do aparelho). Mesmo assim, notei boas fotos quando estamos com muita luz e fotos bem aceitáveis em ambientes pouco iluminados. Os pontos fora da curva foram a câmera de macro e ultra grande-angular. A de macro conseguiu fazer fotos sem foco algum em muitos momentos. Pensei que era coisa do fotógrafo, mas notei, na internet, que não fui o único. Já a grande-angular trouxe resultados ruins, com cores lavadas e até distorções. Não foi um resultado minimamente esperado para um aparelho Nokia, mesmo não sendo um topo de linha.

Para fechar positivamente, falemos do modo retrato. Aqui há produção de um desfoque bem acentuado no que não é seu alvo, enquanto que o objeto da foto tem leves distorções. Poderia ser melhor, mas não chega a ser reprovável. Tem também a câmera de selfies de 8MP com f2.0 que tem aquele software para suavizar imperfeições no rosto que eu não gosto, mas tem quem goste. No geral, o conjunto de câmeras tem um bom resultado, especialmente se seu foco são as redes sociais.

Sim, o Nokia 5.3 também grava e o faz com resolução HD (720p), Full HD (1080p) e até 4K. Em todas as opções temos o vídeo em 30 quadros por segundo. Sinceramente, não vi bons resultados com áudio ruim e imagens muito tremidas, fora que a qualidade de imagem deixou a desejar. Mais um ponto negativo.
Desempenho

Se o conjunto de câmeras deixou a desejar, o mesmo não podemos falar do desempenho. Para um intermediário, ele se saiu bem. O Nokia 5.3 traz um chip Qualcomm Snapdragon 665 de 8 núcleos até 2 GHz com 4GB de RAM, 128 GB de armazenamento interno e uma GPU Adreno 610. Não notei lentidão no uso normal e até em jogos mais simples. Porém, jogos mais pesados como Asphalt 9 teve desempenho ruim, com lentidão nas configurações padrão.

Não sei se por ser Android puro, o Nokia 5.3 tem uma usabilidade um pouco diferente do que estava acostumado com outros aparelhos Android. Não é ruim, só diferente. Ele veio com o Android 10 e está pronto para receber o 11. Tem promessa de atualização até 2023, o que é bom, pois te dá um tempo maior com o celular e menos gastos.

Bateria

Por fim, vamos falar da bateria dele. Apesar de ter deixado para o final, a bateria é outro item fundamental na compra de um aparelho. O Nokia 5.3 tem bateria de 4.000 mAh que resiste bem ao uso normal do dia. Carregando ele na madrugada, mesmo vendo muitos vídeos e fazendo pareamento com o computador do carro, jogando e usando bastante redes sociais, chegou ao final do dia com mais de 30%. Achei bastante digno. E isso pode se dever ao recurso Adaptive Battery da Qualcomm. Ele aprende com o tempo os aplicativos que você menos usa e os limita para que eles não drenem a bateria do celular. Muito bem pensando. O celular ainda tem na caixa um adaptador de energia com 10 W de potência. Poderia aceitar carregamento rápido, né?

Vale a pena?

Então, o Nokia 5.3 custa, em média, R$ 1.529,10. É um preço justo para o que oferece. A questão é que quando falamos em Nokia a lembrança é de um aparelho robusto e duradouro, com muita qualidade de processamento e ótimas câmeras. E o Nokia 5.3 é bom, mas não é isso tudo. Se você não compará-lo com seus antepassados não irá criar falsas expectativas e terá sim um bom aparelho para iniciar sua jornada no mundo da tecnologia. Já ia esquecendo: ele é fabricado no Brasil, ou seja, tem suporte local. É uma vantagem.
 

Ficha técnica do Nokia 5.3

Tela: 6,55 polegadas, HD+, 60 Hz, IPS LCD
Chipset: Qualcomm Snapdragon 665
Memória RAM: 4 GB
Armazenamento interno: 128 GB
Câmera traseira: 13 MP (principal) + 5 MP (ultrawide) + 2 MP (profundidade) + 2 MP (macro)
Câmera frontal: 8 MP
Dimensões: 164.3 x 76.6 x 8.5 mm
Peso: 185 gramas
Bateria: 4.000 mAh
Extras: leitor de digitais na traseira, botão dedicado do Google Assistente, gravação em 4K; entrada de 3,5 mm para fones, Bluetooth, NFC, carregamento rápido
Cores disponíveis: cinza e azul
Sistema operacional: Android 10 com promessa para o Android 11.