Análise: 5 motivos para o aumento da popularidade de Bolsonaro

Entenda algumas das razões para o crescimento da aprovação do presidente, evidenciado na pesquisa CNT/MDA

Os números apurados na última pesquisa CNT/MDA, divulgada na quarta (22), mostram uma mudança de trajetória significativa na avaliação do Governo Bolsonaro e da figura do presidente. De agosto a janeiro, saltou de 29,4% para 34,5% a parcela de brasileiros que consideram a gestão federal positiva, enquanto os que a julgam negativa caíram de 39,5% para 31%; o ‘regular’ foi citado por 32,1% (antes eram 29,1%). A aprovação ao desempenho pessoal de Bolsonaro saiu de 41% para 47,8%. 

É precoce cravar que estamos diante de uma tendência de crescimento contínuo  - os próximos levantamentos de Datafolha e CNI/Ibope podem confirmá-la ou refutá-la -, mas o ponto de inflexão demonstrado na pesquisa não deve ser ignorado. Os principais estudos divulgados anteriormente indicavam, quando não o derretimento, a mera estabilização da gestão Bolsonaro em relação à opinião pública. A queda livre não só parou como deu lugar à ascensão. O que explica o recente ganho de popularidade? Aqui vão algumas hipóteses.

1. MELHORA NA ECONOMIA

Não está maravilhoso. Bom também não seria o adjetivo adequado. O fato é que há melhora em alguns indicadores econômicos importantes. Um avanço lentíssimo e módico, mas ainda um avanço. O PIB ainda é pibinho, mas a recessão está no retrovisor. Conseguir emprego continua difícil, bem difícil, mas já foi pior. 

Por mais que os obstáculos se mantenham patentes, o uso da conjunção adversativa ‘mas’ tende a aparecer, pois as pessoas lembram que, poucos anos atrás, o panorama estava muito mais deteriorado, com as perspectivas sucumbindo no mar de notícias ruins e instabilidade política.

Agora, a tendência é de crescimento, retomada do investimento privado e vagarosa irrigação no mercado de trabalho. E o bolso é o fator preponderante na hora de avaliar se as coisas estão indo bem.

É justamente a economia que deve reeleger Trump nos Estados Unidos. Se a do Brasil estiver bem, em meados de 2022, é provável que o mesmo aconteça com Bolsonaro.

2. MEDIDAS POPULARES

Mais uma vez, o bolso. A liberação do saque do FGTS e a redução do valor do seguro DPVAT são exemplos de medidas superpragmáticas, impossíveis de passarem despercebidas porque a população sente diretamente seus efeitos. Iniciativas assim repercutem muito mais na vida do cidadão médio do que o debate ideológico e as declarações esdrúxulas do presidente, de seus filhos e de parte de sua equipe. Eis a crua realidade: para grande parte das pessoas, mais interessa sacar uma graninha extra do que saber quem será a chefe da Secretaria de Cultura depois da saída de Roberto Alvim, o fã boy do nazista Goebbels.

Regina Duarte

3. OPOSIÇÃO DESARTICULADA

Passados quase 13 meses de Bolsonaro à frente do Planalto, a oposição está mais perdida do que a ministra Damares ficaria numa micareta. A esquerda, em especial alas mais radicais, resume-se a uma força meramente reativa e sempre mal-humorada, cujo único propósito é rebater o que vem do Governo, sem capacidade propositiva, sem poder de articulação política para estabelecer sua própria agenda, e resistente ao diálogo com o que lhe é discordante. 

Está claro que o Governo depende da esquerda para garantir repercussão com a pauta ideológica, assim como esta depende daquele para conseguir fazer algum barulho.
 

Mas - aproveitando que 'Parasita', filmaço de Bong Joon-Ho, está na moda - nesta relação de mútua exploração política, é nítido que o bolsonarismo tem mais a ganhar. Cabe aos grupos moderados, de centro-esquerda e centro-direita, a montagem de uma alternativa contundente.

4. QUEDA DA VIOLÊNCIA

Na prática, faltam medidas robustas na área da segurança pública em âmbito federal, uma das bandeiras de campanha do presidente, contudo, até setembro de 2019, os homicídios caíram mais de 20% no País. Há uma miríade de motivos para a redução, incluindo o investimento em inteligência policial, o apaziguamento entre facções criminosas, o endurecimento da administração em presídios, etc.

O Ceará, por exemplo, reduziu pela metade os índices de mortes violentas no ano passado. As estratégias estaduais, tendo o Governo Federal apenas como ponto de apoio, têm sido cruciais para a queda da violência. Mas o Planalto também colhe seus louros. 

5. ENFRAQUECIMENTO DE ESCÂNDALOS

Apesar de ter se apresentado na campanha como uma figura imaculada, a quem a corrupção causava nojo, o presidente Bolsonaro já teve de enfrentar uma série de episódios indecorosos, como o laranjal do PSL e denúncias de corrupção envolvendo pessoas de seu ciclo íntimo, com destaque para o filho/senador Flávio Bolsonaro, apontado pelo MPRJ como chefe de organização criminosa na Assembleia do Rio; e de sua equipe de primeiro escalão - aliás, difícil entender por que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, denunciado por comandar o esquema de candidaturas laranjas, mantém-se no cargo.

Mas o interesse público por esses casos, os quais têm potencial para acometer a popularidade do presidente, vem caindo progressivamente. Neste início de 2020, a agenda noticiosa anti-Bolsonaro concentra-se nos sismos criados pela própria gestão, e não nos de origem externa.