Violência de gênero na vida offline

Patrícia Marxs atua como advogada em direitos das mulheres e direito à saúde da mulher
Legenda: Patrícia Marxs atua como advogada em direitos das mulheres e direito à saúde da mulher

Nos últimos dias, presenciamos online exemplos de violências contra a mulher que fazem parte das nossas vidas offline. Segundo levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil teve uma média de um estupro a cada 10 minutos, em 2021. Essa informação é tão devastadora quanto as notícias divulgadas nos últimos dias.

A situação de violência contra a mulher parece piorar a cada dia. Se compararmos os dados de 2021 com anos anteriores, entre 2019-2020, houve redução de 12,1% nos registros de estupros de mulheres no Brasil, já entre 2020-2021 houve o aumento de 3,7%, conforme estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2021. A violência sexual é mais uma das inúmeras violências que nós, mulheres, somos submetidas todos os dias, citaremos brevemente outras violências pouco conhecidas na atualidade.

Algumas violências acontecem no mundo offline, a violência existente na falta de atendimento à saúde quando a mulher grávida, sentindo as dores do parto, tem o atendimento médico negado, assim como também frases ofensivas que a mulher escuta quando vai ter seu filho, por exemplo “pare de se fazer de vítima, a dor é normal”.

Entende-se por violência obstétrica, toda ação feita sem o consentimento da mulher, que desrespeite a autonomia ou causa sofrimento físico ou emocional, pode ocorrer no pré-natal, parto, pós-parto e abortamento.

Segundo estudo da Fio Cruz, a violência obstétrica atinge 45% das mulheres atendidas na rede pública de saúde no Brasil, na rede particular 30% das mulheres atendidas já sofreram pelo menos um episódio de violência obstétrica.

Nem toda violência é praticada mediante a ação, a omissão também pode configurar violência, quando mulheres buscam o planejamento familiar, seja no SUS ou no Plano de Saúde, recebem uma negativa médica, dessa forma são impedidas de planejar uma gravidez, ainda que tenham direito. Em um estudo publicado pela Bayer e FEBRASGO, pelo menos 62% das gravidezes no Brasil são não planejadas, isso pode ter como resultado impactos físicos e emocionais na vida das mulheres, desde alterações na rotina da mulher, na decisão de amamentar, no vínculo com o bebê e além de aumentar a chance de desenvolver depressão pós-parto.

Não é de hoje que os nossos direitos são desrespeitados e ainda que existam leis, estas são equivocadamente por quem deveria respeitá-las. É preciso estar vigilante, ocupar os espaços embora haja resistência, tenhamos sempre em mente nossos direitos não são permanentes, nossa luta é constante.

Patrícia Marxs atua como advogada em direitos das mulheres e direito à saúde da mulher