Transmigrações partidárias

Escrito por Mauro Benevides ,
Jornalista e senador constituinte
Legenda: Jornalista e senador constituinte

Até o início de abril passado ocorreram inúmeras transmigrações de parlamentares e lideranças, que resolveram permutar de legenda, como assim há sido praxe em outros períodos pré-eleitorais, o que evidencia a instabilidade dos nossos quadros políticos, nos termos da legislação especifica para cada competição democrática.

Essa flexibilidade ocorrente, com amparo na aludida lei, sempre acontece com relativa habitualidade, comprovando a inconstância programática dos que assim se conduzem, notadamente na busca de possibilidades mais favoráveis para a conquista de mandato.

Os comandos de quase todas as forças políticas parecem indiferentes a essa prática, registrada com respaldo normativo, gerando aumento ou redução na estrutura de nossas facções, sobretudo no período da “janela” partidária.

As pequenas siglas são mais vulneráveis, tudo em razão da multiplicidade de opções, com isso, cada postulante tentando melhor situar-se, mormente em relação às disputas de cadeiras legislativas.

O assédio, incrementado desde o início do ano, termina por surtir efeito, dando lugar a uma recomposição de quadros, sem que as alterações tenham por objetivo fatores compatíveis com a tendência do pleiteante, que busca essa alternativa para tentar atrair o voto.

Com a última reforma político-eleitoral, aprovada em 2023, o mais factível seria que as legendas empreendessem, sem tergiversações, um trabalho de convencimento identitário de seus representantes, a fim de que o arraigamento ideológico se tornasse mais duradouro, com um mínimo lastro de formação doutrinária.

Por diversas vezes foi tentada a rigidez dos dispositivos que norteiam a fidelidade partidária, um intento sempre subestimado, por mais contundente que sejam as críticas da mídia aos que assim procedem.

Mesmo as transferências de agora valendo apenas para o pleito deste ano, deputados e senadores deram uma pausa de uma semana nos trabalhos congressuais, quando se envolveram diretamente nas articulações, tendo em vista que as eleições municipais agregam apoios para contenda de 2026.

Se fosse levada em conta a qualidade e não a quantidade, descobrir-se-á que, às vezes, menos acaba significando algo mais portentoso.

Mauro Benevides é jornalista e senador constituinte

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