Simon, pregoeiro da democracia

Ao completar 90 anos, Pedro Simon, uma das maiores expressões do nosso cenário político, transformou-se em ídolo do povo gaúcho. Logo nos primórdios de sua brilhante trajetória na vida pública, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro, quando o País vivenciava instantes de anormalidade, e ele situava-se como pregador decidido da reconquista democrática, sem tergiversar na postulação de uma regularização, que somente foi alcançada com a Carta de 5 de outubro de 1988, quando este colunista se tornou 1º vice-presidente, sob o comando lúcido de Ulysses Guimarães. Em nenhum momento dessa porfia árdua, o bravo gaúcho deixou de participar, com a veemência de sua oratória, ouvida em casas legislativas e praças públicas, numa autêntica cruzada de catequização dos incrédulos, mesmo diante de uma clara conquista normalizadora da Democracia. Fomos companheiros fraternos, posicionando-nos coerentemente e consolidando o prestígio de nossa sigla, no Legislativo e em outras dimensões, a exemplo do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, no monumental comício das Diretas, liderado, dentre outros, por Montoro, Ulysses, Tancredo, Teotônio Vilela (já combalido), além desse escriba, na mais consagradora mobilização que repercutiu em todo o Brasil. Quando senador da República, a tonitruância dos discursos de Simon alcançava todos os recantos do País, tornando-o respeitado por entre os segmentos mais esclarecidos. Por isso, é justíssima a homenagem que o Senado e a Câmara pretendem realizar, pelos seus 90 anos, quando aguarda a tonicidade de seu verbo, dentro de coerência inabalável e firme propósito de demonstrar uma vitalidade com que Deus o brindou, ao longo do tempo, como propugnador do Evangelho Democrático, na condição de autêntico sacerdote da Cidadania.