Rindo para não chorar

O exercício da atividade política tem, como premissa básica, o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. A origem da palavra "política" remonta à época de Aristóteles, na Grécia Antiga, que entendia ser esta um mecanismo que tinha, como objetivo final, a felicidade dos indivíduos. No Brasil teremos, este ano, a escolha dos novos prefeitos e vereadores dos mais de 5.500 municípios, por 147,9 milhões de eleitores. Cada cidadão estará apto a votar naqueles que julgar capazes de representá-lo em benefício de sua urbe.

Aqui, porém, a prática política deteriorou-se com o passar do tempo, por culpa dos próprios eleitos, muitos deles envolvidos em conchavos, esquemas de corrupção e outras ações delituosas. Ser candidato, muitas vezes, virou uma espécie de "meio de vida" para muita gente que costuma engabelar o eleitorado nas campanhas, valendo-se geralmente da total ignorância de grande parte do povo quanto ao exercício sério e responsável de tal atividade, notadamente em pequenas cidades.

Iniciada a campanha, já é risível a variedade de pessoas que, valendo-se de excentricidades como a semelhança física com nomes famosos, personagens da TV ou apelidos engraçados, apresentam-se ao eleitorado como supostas alternativas diante da sem-vergonhice político-administrativa reinante.

Assim é que, por exemplo, temos os candidatos a vereador Trump, em Macapá (AP); Jiraya Jaspion Jiban, em Salvador (BA); Ronald Trump, em Ribeirão Preto (SP); Capitã Cloroquina, no Rio de Janeiro (RJ); ou, ainda, Ivete de Bigode, em Bom Jardim (PE). Sem propostas consistentes, muitos buscam, caso eleitos, apenas um "bom emprego por quatro anos". Acabamos tendo que rir para não chorar, diante da falta de seriedade como tem sido encarada, há muito tempo, a prática da política em nosso País. Portanto, cabe ao eleitor, de novo, a responsabilidade por suas escolhas.

Gilson Barbosa

Jornalist


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