Poeta Osvaldo Chaves

Osvaldo Chaves seminarista-rapazote já revelava o fulgor de seu estro com belos poemas como “Padre Antônio Tomás” que, em 1940, dedicou ao Príncipe dos Poetas Cearenses. Este, conquanto nos estertores da vida, retribuiu-lhe com “Desencanto”, soneto que também avulta por ser o último de sua primorosa lavra, cujo desfecho é o seguinte: “Os sons que arranco da pobre lira agora/Mais parecem soluços de quem chora/Do que a doce toada de quem canta” .

Em 2019, prestes a completar 96 anos, o sacerdote e poeta Osvaldo Chaves já modulava os primeiros acordes de seu canto de cisne com o livro “Osvaldo Chaves – Coletânea de sermões”, que admiradores seus editaram e lançaram em Sobral.

Ordenado em 1951, Osvaldo ficou no Seminário de Sobral aguardando o dia 16 de dezembro, quando em Granja cantaria sua primeira missa solene. Ajudando sua missa na capelinha do Bonfim, testemunhei sua emoção ao transformar aquele pedaço de pão no corpo de Cristo: Osvaldo, suando copiosamente por todos os poros, revelava a magnitude de sua extremada fé.

Em 1987, na livraria do Juarez Leitão, Osvaldo Chaves lançava “Exíguas”, livro de belas poesias como essa “Fortaleza”, onde se lê: a) “Fortaleza que à luz de seus luares cor-de-rosa,/Curiosa, procura escutar/As palavras do vento/Cochichadas com as ondas do mar”; b) “E o progresso dispara pelas ruas,/ Apitando, buzinando, fonfonando,/Súbito, porém, tem! tem! tem! tem! tem! tem!/Olhei, quase não vi mais ninguém:/Que violência!/Que tanta pressa é esta?/Era todo branquinho/Com um pelo-sinal de sangue na testa/O carro da Assistência".

Eis que quinta-feira (13), Osvaldo Chaves – que era, inegavelmente, uma das maiores culturas humanísticas do Ceará – veio a falecer subitamente em Sobral, deixando seus familiares e amigos na mais pungente dor e saudade.

“Requiescat in pace”!


Assuntos Relacionados