Pobreza menstrual: um problema social que luta para ter relevância

Legenda: Lorena é pesquisadora em Sociologia
Foto: Arquivo pessoal

Recentemente, um estudo publicado pelo movimento Girl Up (Relatório Livre para Menstruar) em parceria com a Herserlf divulgou dados impactantes sobre a realidade de milhares de meninas e mulheres que não possuem acesso à condições básicas de higiene para vivenciar mensalmente o período menstrual.

Segundo o relatório, 1,5 milhões de brasileiras não possuem banheiro em suas residências e, dentre estas, 17% com faixa etária de até 19 anos e 11% com faixa etária acima de 80 anos sequer têm acesso a distribuição geral de água, o mínimo necessário para garantir a sobrevivência e a manutenção da higiene humana.

Além disso, o estudo revelou que meninas negras, sobretudo que estudam em instituições públicas, são ainda mais afetadas pela insalubridade dos ambientes escolares que não possuem banheiros em boas condições de uso.

Por não receberam, muitas vezes, qualquer tipo de educação ou orientação sobre a menstruação como um fato natural e biológico (mas algo que causa constrangimento só de ser mencionado) na escola ou mesmo no âmbito familiar, muitas meninas acabam não frequentando as aulas nesse período e sentindo vergonha de relatar aos professores o motivo das faltas e dos desafios enfrentados para lidar com esse ciclo regularmente.

A pobreza menstrual - termo utilizado para denominar a falta de acesso aos recursos básicos e à infraestrutura necessários para assegurar condições dignas de higiene durante a menstruação - afeta milhares de brasileiras e evidência a necessidade de criar alternativas imediatas, bem como políticas públicas, para resolver um problema que deve ser discutido tanto pela sociedade como pelos representantes governamentais, os quais, são responsáveis pela efetivação de ações que atendam as principais demandas da população.

Assim como o acesso à alimentação e à educação são indispensáveis a vida humana, a dignidade menstrual também deve ser tratada com tamanha seriedade uma vez que pode transformar o cenário social de meninas, mulheres, pessoas trans e não binárias que vivem em situações escassas e são privadas do que deveria ser um direito básico, e não apenas um problema individual irrelevante (restrito ao gênero feminino).

Lorena Santos
Pesquisadora em Sociologia


Assuntos Relacionados