Para acabar com o preconceito

Temos que parar de achar que no Ceará só tem campeões de olimpíadas mundiais e nacionais de física e de matemática.

Temos que parar de pensar que no ITA e no IME só entram candidatos cearenses. Isso é total mentira. No ano passado, por exemplo, os cearenses só ocuparam 55% das vagas do ITA e 65% das vagas do IME. Ou seja, muitos outros brasileiros, também estudam lá.

Temos que parar de divulgar que as escolas de ensino médio no Ceará, são as melhores do Brasil. Isso também não é verdadeiro. Entre as 10 melhores escolas de ensino médio no Brasil, apenas cinco estão no Ceará. Esses rótulos "não" são confortáveis.

É preciso entender que os cearenses têm "muitas limitações". Por exemplo, seus jovens são os que menos usam tatuagem no Brasil. Eles não gostam de funk, preferem o baião, xote e forró. Eles ainda respeitam os pais e avós, e pasmem, ainda pedem a bênção dos pais! Isso tudo é muita "limitação".

Domingo último, estava em Lisboa e me encontrei com um grupo de cinco jovens "desviados" brasileiros, onde quatro eram cearenses, que estavam indo para Alemanha a um evento na área da matemática. E o mais absurdo, eles não iam assistir e passear, eles eram os palestrantes! E mais um, estava a telefonar para o pai, e pediu a bênção do pai na frente de todos. Caretice de quem preencheu sua grande cabeça só com conhecimento e valores.

Pensando bem, o preconceito até é justificado. Eles são diferentes. Esse "bicho" cearense valoriza até um tal "Padim Cícero": meio santo, meio herói, meio bandido. Vejam três "meios" é maior que um. Como pode? Isso não é normal!

Valoriza ainda um poeta chamado Patativa de Assaré. Isso é nome de poeta de respeito? E mais, ele não sabia nem ler!

Realmente esses cearenses são marginais à nossa sociedade, principalmente a que mora e têm valores do sudeste brasileiro.

Essa "cambada" de cearenses só desenvolveu o cérebro, a inteligência, o raciocínio lógico, o respeito, o talento e a garra.

Realmente são limitados e podem até colocar em risco a "saudável, dinâmica, culta e elitista sociedade" de parte do Brasil.

Observação: Escrevi este texto antes da pandemia, quando estava em um voo Lisboa/Maputo. E até o momento tinha só bebido duas garrafas pequenas de vinho. Imagine o que escreveria sobre o fabuloso "bicho cearense" após a quinta garrafa.

Marcus Vinícius Rodrigues
Professor e Consultor Senior da Fundação Getúlio Vargas


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