O ‘cancelamento’ e a publicidade

A publicidade acompanhou as mudanças impostas pelo tempo. As famosas propagandas dos anos 60, com muitos preconceitos, não funcionam mais. Demos espaço para campanhas mais inclusivas, lugar de fala para minorias e conteúdo com impacto social além do comercial. 

E, principalmente, para uma publicidade feita por pessoas com mais representatividade para uma sociedade que merece se sentir mais representada. Por mais que ainda tenhamos muito a nos desenvolver e aprender, já evoluímos. E só crescemos em razão das lutas por espaço e por vozes que, antes do “mundo digital”, não tinham espaço.

Infelizmente, porém, o tempo trouxe consigo o “cancelamento”. Mais que uma expressão, um sentimento. A internet virou território de muitas opiniões, críticas extremistas, mas de pouca escuta. A sociedade muito fala e julga, mas dialoga cada vez menos. Com as marcas, não é diferente. Pensar campanhas com novas discussões é muito importante e, para isto, é essencial ter o máximo de diversidade nas equipes. Mas o medo de falar algo que possa ser mal interpretado pode, sim, nos paralisar. Por trás de ideias, há pessoas. E pessoas erram e sempre constroem suas ideias com base nas próprias vivências e opiniões. Infelizmente, quando julgarmos alguém, não pensamos no quanto as ideias são complexas: bagagens diferentes trazem repertórios diferentes. E, durante a construção de ideias, há interpretações distintas.

Equilibrar algo de impacto comercial com responsabilidade social não é tarefa simples. O medo do “cancelamento” gera uma publicidade repetitiva, menos livre, com medo de ousar e periga deixar-nos paralisados e menos criativos. E, isto, nós, publicitários, não podemos permitir. Conhecemos limites, mas precisamos lutar pelas ideias e aceitar que, ao inovarmos, corremos riscos. Temos a responsabilidade de não deixar o medo do julgamento minimizar nossa criatividade.

Pâmela Rosa

Empresária


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