O bloco dos estropiados

Penso em criar, no próximo ano, o Bloco dos Estropiados, entre outros nesta Fortaleza, como Matando a Pauta, Concentra Mais não Sai, e outros tantos, na Gentilândia e na velha Cachorra Magra, a conhecida Marechal Deodoro. O Bloco dos Estropiados seria formado por idosos de todas as idades, sem excluir os jovens portadores de deficiência e mais a miuçalha da rua, os “pinguços” e os moradores da Praça do Ferreira e das marquises. 

Será um bloco imenso e esfarrapado, mas muito antenado com as músicas carnavalescas e com a realidade social. O estandarte, levado pelo porta-estandarte, trará escrito em letras garrafais, o dístico: “Me engana, que eu gosto”. Será um bloco aberto ao povão, representado pelos desempregados, pelos doentes e aleijados, pelas vítimas da Previdência Social descompassada, pelos doentes sem hospital e sem remédios, pelos loucos sem assistência nosocomial, pelas prostitutas, gays e outros condenados à fogueira da nova Idade Média...

Será um bloco de arromba, onde muitos deixarão o “armário” onde se encontram e se mostrarão de corpo inteiro... Nas três esferas de poder e noutros mais. Será o maior e mais democrático bloco carnavalesco de todos os tempos. 

Contará com música e orquestra – Nós os Estropiados – e à frente do cortejo irão os defensores da moralidade e dos bons costumes, os pais de família exemplares, todos devidamente acompanhados de “seus quebra galhos”. O Bloco dos Estropiados fará história em Fortaleza, e será contado entre os melhores da folia momina. 

Será disputado pelos falsos carnavalescos de plantão – inclusive por aqueles foliões com samba no pé somente quando a televisão os filma... O Bloco dos Estropiados, o qual registrarei em breve, é uma resposta aos mentirosos de plantão, aos pregadores de falsas “boas-novas” e a outros tantos criadores de miragens.