Medicina Reprodutiva pós-Covid-19


A pandemia do coronavírus deixou e ainda deixará marcas na forma como vivemos como sociedade. As relações interpessoais e profissionais precisaram ser adaptadas em pouco tempo para a nova realidade. Essas mudanças devem ser um dos legados deixados pela pandemia no cenário pós-Covid-19.

No que tange à medicina reprodutiva, especialidade que ajuda a realizar sonhos de diversas famílias, as primeiras mudanças necessárias ocorreram ainda durante a pandemia. 

Órgãos regulatórios atualizaram diretrizes no atendimento a casos específicos e individualizados, a exemplo dos casos oncológicos e de outros em que o adiamento pudesse causar maior dano ao paciente ou até infertilidade irreversível, fosse por idade ou pelo comprometimento da reserva ovariana.

Mas, muito além das mudanças necessárias à curto prazo, o que a pandemia deixa de legado para a Medicina Reprodutiva é o comprometimento ainda maior com a segurança de seus pacientes. Será possível perceber em clínicas que realizam o atendimento, a exigência no uso de máscaras, o maior distanciamento entre os pacientes em ambientes de espera, a disponibilidade de álcool em gel. 

No que se refere ao tratamento, deverão ser incluídos novos testes para garantir a segurança das pacientes e seus embriões. Alguns procedimentos ainda deverão ficar suspensos por alguns meses, até o retorno total à normalidade - ainda sem previsão de acontecer.

Por se tratar de uma doença em que a cada dia ainda estamos aprendendo sobre como lidar e como superar, acreditamos que o coronavírus será vencido. 

E, em um futuro próximo, na área da medicina reprodutiva, a exemplo do que aconteceu com o zika vírus, crise de saúde pública que afetou a vida de vários brasileiros há alguns anos, será uma cicatriz que nos ensinou a sermos ainda mais cuidadosos para que os tratamentos alcançassem os resultados esperados.


Daniel Diógenes
Médico especialista em medicina reprodutiva


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