Mãe altamente eficiente

Antes de ser mãe, eu era gestora. Adorava indicadores de produtividade. A rainha dos checklists, planilhas e metas. Me sentia altamente eficiente. Esses dias me dei conta de que a maternidade me roubou essa sensação. Cedo percebi que não era possível criar os filhos como eu gerenciava minha equipe. A infância requer um tempo sem pressa. Uma entrega à experiência vivida para que dela possa emergir o encontro.

Se tentarmos colocar a infância dos nossos filhos em um checklist, certamente vamos perder o encantamento que eles nos oferecem diariamente. Não estou aqui dizendo que a maternidade diminui nossa capacidade de ser produtivas. Na verdade, até aumenta. Esse potencial, que alguns afirmam ser predicado feminino, de fazer dez coisas ao mesmo tempo, eu renuncio. Não quero ser uma mãe altamente eficiente, que não conseguiu tempo de usufruir da conexão com seus filhos. Então fiz a minha própria prece para me ajudar a lembrar disso. Que tal fazer a sua também? Está tudo bem ser uma mãe ineficiente! 

Eu me libero da culpa de não dar conta da lista infinita de afazeres. Eu me libero da tensão de fazer com que todos caibam no meu tempo. Eu aceito que muitas coisas vão ficar imperfeitas.

Eu serei mais flexível ao lidar com imprevistos e não me importarei com as piadas sobre os meus atrasos aos eventos. Eu me perdoo se em algum momento eu perder a paciência e sair um grito enfurecido de quem está cansada. 

Eu tentarei acolher com compaixão o ódio do meu filho quando eu disser algum não, sem deixar abalar a segurança do amor que temos um pelo outro. Eu criarei espaços para cuidar de mim, pois acredito que só assim conseguirei ser fiel a todas as minhas promessas anteriores.

Eu reconheço que estou dando o meu melhor e procurando ser melhor a cada dia. E confio que, um dia, eles terão boas lembranças da relação que construímos.

Rachel Savir 
Psicóloga
CRP 11/04348