Homem de palavra e ação

Assumir compromisso, promessa ou algo parecido à expectativa não era palavreado, porém certeza de acontecer. Dizia-se válido e confiável, acima de escritura pública.
Coronel Nélson da Franca Alencar (1846 – 1933), cratense, dono do sítio Lameiro, sopé da Serra do Araripe, localidade onde a natureza surpreendia o chegante. Forte bica de água saída da fonte, oferecia belo cenário e banho confortante.

Anfitrião atencioso recebia visitantes com um copo de cachaça de alta qualidade, toalha limpa e a recomendação de “tome banho, mas não se molhe” (embebede).
Sem aviso, chegou ao sítio um caminhão transportando seminaristas e faltou toalha. Ciente do ocorrido, mandou comprar os estoques de toalhas e copos que encontrassem no comércio do Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha.

As compras encheram as dependências da morada e nunca mais se registrou falta. Numa manhã, cinco cangaceiros procuraram o coronel dizendo-se emissários de um chefe de bando de 20 cabras, armados e acampados na Serra do Araripe, que exigia 2 Contos de Réis, hoje cerca R$ 50.000,00.

Nélson abriu uma gaveta e falou: “Aqui tem 20 Contos de Réis! Vocês não vão levar nada! Vão embora e digam ao tal chefe, que se tiver coragem, venha buscar o que quer!”. O ladrão jamais apareceu.

No Cariri existe a crença de que inverno no Piauí é prenúncio igual no Ceará. Assim, anualmente, determinava que um empregado fosse ao Estado vizinho e só voltasse trazendo notícia de chuva.

Como houve um ano de seca, onze meses depois, o mensageiro voltou informando ter visto neblina perto da divisa do Maranhão.

Um morador solicitou-lhe “arranjado” um animal com a finalidade de carregar frutas até o Crato, próximo quatro quilômetros. Quando da devolução, o patrão afirmou-lhe: “Não há devolução! O animal é seu! Você me pediu para ‘arranjar” e não para emprestar!”.