"Em raios fúlgidos"

A transação da elite comercial e escravista brasileira, bem ajustada ao joanismo, com o fito de prolongar os laços do Brasil Reino Unido a Portugal e Algarves, nos solavancos da revolução liberal do Porto, findou no de 7 de setembro e na instauração do Império do Brasil. 

Mas, a elite liberal da nova nação, em parte republicana e federalista, desejava uma monarquia constitucional, com predominância do Legislativo. Foi, então, na Assembleia Constituinte de 1823, que se manifestou o desencontro entre a elite brasileira e o D. Pedro absolutista. 

José Bonifácio apresentou projetos de fim gradativo da escravidão, reforma agrária, disseminação de escolas, direitos e cuidados aos índios. O Projeto de Constituição previa o enquadramento do Imperador no Poder Executivo e o protagonismo do Legislativo. Então, em novembro daquele ano, o "Defensor Perpétuo do Brasil" fechou a Assembleia, prendeu e perseguiu deputados. Mandou escrever uma Constituição, a seu gosto, e a impôs em março de 1824.

O golpe de D. Pedro agradou aos conservadores, centralizando o poder e mantendo intocada a escravidão. Também ignorou propostas dos constituintes de 1823, que asseguravam escolas primárias nos termos, ginásios nas comarcas, universidades, oficinas para educação industrial, ampliação de Casas de Misericórdias e hospitais. 

Desse modo, um ano e meio após o Grito do Ipiranga, o povo brasileiro perdia mais uma vez, retardando seu progresso econômico, social e cultural. Mas, o autoritário imperador enfrentaria cerrada oposição, impopularidade crescente, inclusive com a revolução separatista do Nordeste, ainda em 1824, a Confederação do Equador. E, D. Pedro I abdica em 7 de abril de 1831.

Com as Regências, explodem as contradições da nova nação. O povo se levanta nas ruas e nos campos. A liberdade volta a ser sonhada.

Marcos José Diniz Silva
Historiador e professor da Uece