Elevens, foot-ball e Crato II

1920. Três anos de esforços despendidos e o futebol mostrava-se praticamente consolidado no Crato. Possuindo alguns times organizados, promovendo os primeiros torneios, inclusive com disputas de troféus, as perspectivas de êxitos tinham-se por certeza. 

Municípios empolgados, ante as conquistas esportivas obtidas pelo vizinho, à pertinácia dos atletas e o entusiasmo da população, aderiam ao novo esporte de forma entusiasta. Vários episódios, até jocosos, existiram.

Dentre as histórias sobre os acontecimentos noticiados na região caririense, um destaca-se por inédito e inusitado. O historiador Huberto Cabral foi o narrador e memorialista Joaquim Pinheiro o ouvinte.

Desportistas de Barbalha resolvidos a implantar no Município o esporte inglês que vinha mostrando-se destaque regional, solicitaram à diretoria do Crato-Foot-Ball-Club préstimos para a consecução do objetivo.

Quatro experientes “players”, como eram chamados os jogadores, receberam designação e, com dedicação, organizaram e treinaram uma equipe de barbalhenses.
Tempos depois, os futebolistas primeiros e outros novos acharam-se capacitados a empreitadas maiores. Formaram uma seleção e desafiaram a cratense para um embate na terra dos canaviais.

Acertada a data da ansiada peleja, os desafiantes prometeram transportes e lauto jantar ao término da partida.

Madrugada do dia aprazado. Uma tropa de trinta burros, com cangalhas, buscou os jogadores e o material esportivo e deu-se ao destino.

Fim da competição. Goleada de 6 X 0 em favor dos visitantes. Torcida revoltada apupava ruidosamente os vencedores. Jantar cancelado. A tropa de muares foi recolhida.
O escrete cratense, apavorado com as hostilidades, rumou para a estrada. A pé, os esportistas caminharam os vinte quilômetros que separam as duas cidades. Decepcionados, estropiados e famintos chegaram às casas pela manhã.


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