E por falar em parasitas...

No dia 7 do corrente mês, o ministro da Economia Paulo Guedes, afirmou que os servidores públicos brasileiros eram parasitas, pois o Governo gasta quase toda a receita para pagar salários. A ofensa e a má-fé já foram denunciadas. Talvez, o uso do adjetivo oriundo da biologia tenha sido devido ao filme coreano “Parasita”, do diretor Bong Joon-ho. E, se foi, mais uma vez, o ministro estaria demonstrando ignorância do sentido de “parasita” que, aliás, ganharia o Oscar de Melhor Filme, poucos dias depois.
As reações foram imediatas. De servidores públicos, parlamentares e setores da oposição que, inclusive, acusaram o mercado financeiro – ao qual Guedes pertence –, de ser o verdadeiro parasita do Brasil.

Então, o parasitismo tomou ares de palavra da moda. Mas, no Brasil do início do século XX, o sergipano Manoel Bomfim (1868 - 1932) – médico, pedagogo e historiador – inverteu a lógica da ideologia do pessimismo sobre a formação mestiça do povo brasileiro e de país tropical, vistos como inferiores e condenados ao atraso e à barbárie. Nomes de peso como o crítico e cientista social Silvio Romero (1851 - 1914), o antropólogo Nina Rodrigues (1862 - 1906) e o escritor Euclides da Cunha (1866 - 1909), assim pensavam.

Mas Bomfim via nossa formação social como vítima histórica de uma patologia. Não a da mestiçagem, mas a do parasitismo. Não a doença que depauperava as forças do trabalhador brasileiro, por isso chamado de incapaz. Não! Bomfim demostra, historicamente, em “América Latina: males de origem” (1905), que foram as elites econômicas e políticas do Brasil, e seu Estado tirânico e espoliador, os verdadeiros parasitas que secularmente mataram nosso povo de fome, doenças, escravidão, analfabetismo e atraso.
Uma obra muito atual.