Disputa equilibrada na Câmara

Conforme esteve prevista, a eleição da Mesa da Câmara dos Deputados revestiu-se de forma equilibrada, embora sabido que o Poder Executivo interviesse empenhadamente, já que o posto é de vital importância para Bolsonaro, uma vez que deseja contar com apoios para matérias relevantes, numa fase que se aproxima da futura competição para titular do Planalto.

Arthur Lira (eleito) e Baleia Rossi confrontaram-se elegantemente, dispostos a pleitear o comando da Casa de maneira límpida, levando o Legislativo a desempenhar funções de modo irrepreensível, em obediência aos preceitos Constitucionais e o Regimento Interno. Se é certo que o Governo pugnou pelo triunfo de Lira, é inegável que um forte bloco de siglas direcionou-se para Baleia Rossi, numa disputa acompanhada pela mídia e os segmentos esclarecidos como algo crucial para o funcionamento das duas Casas legislativas.

Ainda hoje me recordo do pleito em que estive engajado, para ascender à direção do Senado e do Congresso, quando, conquistei a unanimidade dos votos, o que me fez congraçar engenho e arte, para corresponder àquela demonstração de confiança no meu trabalho, conduzindo o Parlamento preocupado em fazê-lo acatado pelos seus integrantes e, sobretudo, pela opinião pública nacional. Os 80 votos que alcancei dimensionaram as minhas responsabilidades, compelindo-me a preservar uma postura de absoluta correção, tendo como espelho a Carta Magna e as normas internas.

Tais considerações, calcadas em um passado de êxito, podem servir de inspiração para que os novos dirigentes estejam ciosos da necessidade de manter conduta ética irretocável, numa Instituição que sempre foi o sustentáculo da estrutura democrática.

Dentro deste contexto, é aconselhável que se preserve a sua independência, vinculada aos legítimos interesses do Brasil.

Mauro Benevides

Jornalista e senador constituinte