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Quando se observa o desempenho da Universidade de São Paulo (USP), a instituição latino-americana mais bem posicionada no ranking, algumas lacunas tornam-se evidentes

Escrito por Davi Marreiro producaodiario@svm.com.br
09 de Junho de 2026 - 06:00
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Legenda: Consultor Pedagógico

 

Conforme destacou o portal The Conversation, a edição de 2026 do Center for World University Rankings (CWUR), divulgada na primeira semana de junho, trouxe mais um daqueles diagnósticos que o Brasil, infelizmente, já conhece bem: as universidades nacionais perderam posições em relação ao ano anterior.
Quando se observa o desempenho da Universidade de São Paulo (USP), a instituição latino-americana mais bem posicionada no ranking, algumas lacunas tornam-se evidentes. No indicador de citações de artigos científicos, a universidade ocupa a 82ª posição mundial, demonstrando competitividade na produção de conhecimento. No entanto, os resultados tornam-se progressivamente mais modestos à medida que o ranking passa a medir aquilo que acontece depois da pesquisa: a USP aparece na 203ª posição em qualificação do corpo docente, na 390ª em empregabilidade e apenas na 549ª colocação em qualidade da educação.
Em termos morinianos, esses indicadores ajudam a compreender que a relevância de uma universidade não pode ser medida apenas pela quantidade de pesquisas que produz. Sua grandeza reside na capacidade de formar aquilo que Edgar Morin chamou de “cabeças bem-feitas”. Afinal, uma cabeça bem-feita não é a que sabe mais, mas a que compreende melhor, conecta melhor e age melhor diante da complexidade do mundo.
Nessa perspectiva, uma formação verdadeiramente plena é aquela capaz de preparar indivíduos para ocupar espaços de liderança e responder aos desafios da globalidade e da complexidade. Não por acaso, o Global Employability University Rankings & Survey (GEURS), publicado pela Times Higher Education e baseado na opinião de mais de 12 mil empregadores internacionais, revela que apenas três universidades brasileiras figuram entre as 250 mais bem avaliadas do mundo em empregabilidade: USP (80ª), FGV (215ª) e Unicamp (239ª).
Os números sugerem que nossa inquietação não é mera impressão. Contudo, a questão não se resume a empregar mais, mas a ampliar as condições para que nossos estudantes ocupem espaços estratégicos de influência, liderança e transformação social. "Mais vale uma cabeça bem-feita do que uma cabeça bem cheia."
 

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