A sociologia da violência

Diego Barreto é delegado de Polícia Civil
Legenda: Diego Barreto é delegado de Polícia Civil
Viver não é preciso. Navegar é que é. A ideia, muito antiga, mas trazida à modernidade, pelo poeta português Fernando Pessoa nos diz que não há instrumentos para medir a vida. Daí a falta de precisão. Porém políticas públicas sim, necessitam de precisão. No limite dos desafios impostos.

A exemplo do desafio transnacional que se tornou a segurança pública e que nos exige quebrar paradigmas para mensurar quais os caminhos de vida que desvirtuaram algumas pessoas e as influenciaram negativamente.

O Ceará tem uma revolução em andamento na educação pública com tendência de seguir melhorando com a universalização das escolas em tempo integral até 2026. Essa mudança certamente mexerá com os índices de segurança pública. Embora muito, não basta.

Apesar do fundamental e primoroso trabalho, também não basta o banco de dados e as ferramentas tecnológicas modernas implementadas pela SUPESP nos últimos anos. É preciso entender a complexa trama social que envolve as relações pessoais. Por isso a Coordenadoria de Estudos de Violência, inovação contida na reestruturação da Polícia Civil, está a caminho. Interessa-nos a produção de conhecimento relativo às relações sociais em suas mais diversas variáveis.

Valores, cultura e história. Como essas nuances são associadas ao fator violência? Além de onde ocorreu o crime, como ocorreu e quem é o criminoso, claro, para levá-lo ao devido processo legal, essencial ao Estado Democrático de Direito.

Entretanto, devemos ter alternativas definitivas para os males que assolam a sociedade. Para que correções adequadas sejam realizadas é preciso conhecer as pessoas e sua relações sociais. Assim, estabelecer políticas públicas de combate à criminalidade desde o surgimento, desde o cerne do problema.

Combater o crime investigando não só fato depois de realizado, mas montando um quebra-cabeça que nos indique o porquê. Por que o indivíduo optou pelo caminho da criminalidade? É isso que precisaremos saber para diminuir a mão de obra abundante do crime organizado e consequentemente proteger as pessoas, criando assim soluções perenes para a segurança pública do Ceará.

Diego Barreto é delegado de Polícia Civil