A crise energética e seus efeitos

Como se não bastassem as crises política, econômica e sanitária que nós brasileiros estamos enfrentando, está batendo à nossa porta uma escassez de água nos reservatórios do Sudeste e Centro Oeste, o que desencadeia mais um momento difícil para o nosso país: a crise energética. Isso acaba exigindo o acionamento de termelétricas e a importação de energia de outros países para suprir a deficiência das hidroelétricas. Os especialistas já falam que o problema deve ser maior do que a gente pensa e ir além do mês de setembro. O Brasil não deve ter energia suficiente para o mês seguinte. 

Em consequência disso, o governo está atuando na demanda, introduzindo a nova bandeira tarifária de escassez hídrica, que vem com o valor aumentado na tentativa de reduzir o consumo das famílias, assim como dar um bônus a cada quilowatt-hora diminuído no consumo. Porém, isso pode levar a um aumento na conta de energia e, segundo especialistas, com mais essa crise, a inflação poderá, ainda em 2021, superar os oito por cento e afetar, principalmente, a população menos favorecida.

Todo o setor produtivo está preocupado com a crise energética e seus efeitos nas empresas porque, além do aumento do custo energético, existe o receio, também, do racionamento com a possibilidade de instabilidade e até interrupções no fornecimento de energia. As micro e pequenas empresas sofrem mais porque têm menos margem de manobra. Somando-se a outros fatores causados pela pandemia, ficam em uma encruzilhada: ou pagam sozinhas o preço da energia, ou repassam para o consumidor, que também está com pouco dinheiro. A economia está toda interligada e tem efeito cascata sobre todos os setores, desde a indústria, comércio, serviços, agropecuária com seus impactos aos consumidores, usuários e trabalhadores.

O Brasil precisa fazer um melhor gerenciamento de seus recursos hídricos e planejar melhor sua oferta de energia a longo prazo, pois temos uma vasto território com uma grande variedade de recursos naturais que proporcionam diversas opções de energias.

Tadeu Oliveira é odontólogo e empresário