A conclamação de Dias Toffoli

Diante do panorama institucional do País, o presidente do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, fez conclamação exortando os brasileiros a um clima de apaziguamento de ânimos, agravado com as passeatas de domingo último, sem que fosse atentado para o quadro dramático de pandemia, vivenciado em todos os recantos da nacionalidade.

Se existem demandas no STF, alusivas ao Executivo, sob a análise dos ministros Celso de Mello e Alexandre de Moraes, ali, tramitam, agora, com menor celeridade, num hábil posicionamento de magistrados prudentes, que evitam, com seus despachos monocráticos ou em plenário, incitar o atual ambiente de agitação, combinado com um surto viral impiedoso, já apontando para um percentual altíssimo de mortos.

O apelo sensato do titular do Supremo ecoou por entre as nossas lideranças, como um sinal para que cessem os gravames e debates exaltados, estancando essa efervescente movimentação, capaz de conduzir a Nação a instantes ainda mais delicados, com desdobramentos que trarão confrontos inevitáveis.

Se outras vozes fizeram-se ouvir no mesmo sentido - como a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Ciro Gomes e Marina Silva, há uma flagrante inquietação que passou a reclamar postura mais adequada, para aliviar as pressões que emergem nos mais variados estamentos sociais do país.

Os desfiles em avenidas e praças públicas devem ficar para a próximo pleito eleitoral, dentro, naturalmente, de um quadro que não extrapole os limites da legislação pertinente.

A disputa política virá como palco de embates ideológicos, capazes de influenciar o sagrado voto popular, sem hostilidades que desestabilizem o regime democrático, de que é paradigma insuperável a Carta Cidadã, da qual este articulista é o segundo signatário, antecedido apenas por Ulysses Guimarães.

Está na hora de repensar os excessos verbalizantes...

Mauro Benevides

Jornalista e senador constituinte


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